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Copom tem decisão ‘correta’, mas não deve alterar expectativas do mercado sobre cortes de juros, diz Ace | Finanças

Copom tem decisão ‘correta’, mas não deve alterar expectativas do mercado sobre cortes de juros, diz Ace | Finanças
— Foto: Aaron Lefler/Unsplash


Em uma decisão “correta”, o Banco Central voltou a elevar a Selic e colocou o sarrafo em nível ainda mais alto para voltar a subir as taxas de juros. É o que avalia o economista-chefe da Ace Capital, Werther Vervloet, cuja estimativa já contemplava um aumento final na taxa básica para 15%. “Passamos a esperar uma alta desde a participação do [presidente do BC Gabriel] Galípolo no evento do CDPP, em que ele mostrou surpresa com a atividade econômica. Ali ficou parecendo que dariam uma elevação adicional, que foi confirmada hoje.”

Apesar disso, Vervloet acreditava que, na descrição sobre o cenário econômico, o Copom adotaria um tom que indicasse uma atividade mais aquecida do que aquele colocado no comunicado. “Para mim, a lógica seria de que, se tivesse mais uma alta por causa da atividade, poderiam carregar a mão, mas o Copom não fez isso. A descrição sobre atividade econômica e o recado no final do comunicado fazem parecer que estamos em um ambiente de fim de ciclo, onde vão parar para avaliar os efeitos do aperto monetário sobre a atividade e a inflação.”

Para o economista da Ace, o Copom deve manter os juros parados em 15% por um bom tempo. “Se tudo correr bem, o ciclo de cortes começa somente no ano que vem. Nós acreditamos que pode ser entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, mas mais para o segundo trimestre mesmo”, diz.

A princípio, Vervloet não acredita que o comunicado provoque uma alteração significativa nas expectativas sobre o início de um processo de flexibilização monetária. “Vai depender muito da evolução dos dados. Se continuarmos vendo surpresas para cima na atividade, possivelmente os cortes podem ser jogados mais para frente, mas se as coisas evoluírem em linha com as expectativas, pela comunicação de hoje não teria grandes motivos para mexer no início do ciclo de cortes. As coisas vão evoluindo com o tempo.”

A projeção de inflação do Copom no horizonte relevante, em 3,6% no fim de 2026, veio dentro do esperado pela Ace, mas se mostra bem abaixo das projeções da gestora, que prevê a inflação em 5% no próximo ano. “A principal diferença está no hiato do produto [medida de ociosidade da economia], porque trabalhamos com um hiato mais positivo que o do BC. Até acho que é possível que o BC revise um pouco o hiato para cima, mas ainda seria em um nível bem mais baixo do que a nossa estimativa tanto em relação ao patamar atual quanto na trajetória”, afirma o economista.

— Foto: Aaron Lefler/Unsplash



Fonte: Valor Econômico

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