O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que não voltará para o Brasil “por ora” e que deve “sacrificar” seu mandato. O parlamentar vive desde março nos Estados Unidos e a licença solicitada à Câmara termina nos próximos dias.
“Estou falando com alguns assessores. Se for o caso de perder o mandato, vou perder o mandato e continuar aqui. O trabalho que estou fazendo aqui é mais importante do que o trabalho que eu poderia fazer no Brasil”, afirmou Eduardo em entrevista hoje ao jornal “O Estado de S. Paulo”, nesta segunda-feira (14).
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que não pretende voltar neste momento ao Brasil porque teme ser preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Quando tornou pública sua decisão de se licenciar do mandato, em 18 de março, Eduardo alegou que viveria nos EUA para defender o pai, réu no STF, e porque temia ser alvo de sanções. Havia naquele momento um pedido de parlamentares do PT para reter o passaporte de Eduardo, que foi negado pela PGR.
Se não voltar ao país nos próximos dias, Eduardo pode perder o mandato por acúmulo de faltas. Nesse caso, a perda do mandato será declarada pela Mesa da Casa, podendo ser por iniciativa própria ou após provocação de qualquer deputado ou de partido político com representação no Congresso. Em qualquer situação de perda de mandato, no entanto, é assegurada ao deputado a ampla defesa.
Nos EUA, o deputado vem buscando apoio de lideranças políticas e do presidente Donald Trump para aplicar sanções contra Alexandre de Moraes, a quem ele acusa de atuar de forma arbitrária. “Por ora eu não volto. A minha data para voltar é quando Alexandre de Moraes não tiver mais força para me prender”, afirmou Eduardo na entrevista.
Desde então a atuação de Eduardo nos EUA passou a ser alvo de investigação pela PGR, que apura se ele praticou crimes como coação e de embaraço à investigação. Na semana passada, após Trump anunciar tarifas de 50% aos produtos brasileiros, um deputado do PT pediu a prisão preventiva de Eduardo. Para a oposição, o parlamentar é responsável por influenciar o governo dos EUA a sobretaxar o país – uma das justificativas de Trump foi o processo contra Bolsonaro.
“No Brasil, o STF, quer dizer, Alexandre de Moraes, ia tentar colocar uma coleira em mim, tirar meu passaporte, me fazer de refém, ficar ameaçando, como ele sempre faz – mandando a Polícia Federal na Casa, abrindo inquérito, inquirindo pessoas ao meu entorno. Então, eu não vou me sujeitar a fazer isso. E eu não preciso mais de um diploma de deputado federal para abrir portas e os acessos que tenho aqui. Então, a princípio eu continuo aqui”, afirmou o deputado, que nega ter relação com a decisão de Trump.
O parlamentar também disse que o anúncio dos EUA não é uma chantagem e que Trump usa as tarifas para “geopolítica” com objetivo de “corrigir” decisões do Judiciário. Eduardo voltou a dizer que não vai interferir para que o governo reveja a imposição das novas tarifa, que devem começar a valer em 1º de agosto. Ele alega que a medida é necessária para conter o governo Lula.
Fonte: Valor Econômico