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Vini Jr e Vírginia vão à clínica nos EUA e fazem soroterapia: saiba o que a ciência diz sobre o método

Vini Jr e Vírginia vão à clínica nos EUA e fazem soroterapia: saiba o que a ciência diz sobre o método
Equipe da clínica que atendeu o ex-casal publicou imagens nas redes sociais. (Instagram/Reprodução)



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Logo após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, o jogador Vinícius Júnior e a influencer Virginia Fonseca chamaram atenção longe dos estádios depois de aparecerem fazendo soroterapia nos Estados Unidos.

O procedimento é um tipo de tratamento nutricional endovenoso, alvo de polêmicas, e foi realizado pelo ex-casal na segunda-feira, 6.

Postagens feitas pela própria clínica responsável pelas sessões sugerem que os dois receberam a substância em domicílio, em uma mesma residência.

Nas redes, Virginia também relatou como foi a experiência, recomendando o método: “deixa eu dar uma indicação para vocês também: soroterapia. Eu já tinha feito outra vez, só que eu acho que não vi tanta diferença, porque talvez eu não estava tão mal”, contou.

E ela completou: “agora eu estava muito mal. Um mês fora de casa, fora da rotina, gripada, comendo mal, tudo errado, muita fritura”, disse. “Eu tô outra mulher. Simplesmente levantou defunto. No soro tinha B12, tinha vitamina C… tinha um tanto de coisa.”

A soroterapia é um método que consiste, justamente, na aplicação de vitaminas, minerais e outras substâncias diretamente na corrente sanguínea. Para tanto, a aplicação é feita por via intramuscular ou endovenosa (nas veias).

Comumente utilizada em casos de extrema necessidade, como entre pacientes internados, ela tem sido ofertada, nos últimos anos, para pessoas saudáveis, com promessas de diversas benesses.

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Quem oferece o procedimento garante que ele é capaz de turbinar a imunidade, aumentar a energia e até melhorar a memória e a aparência — quando o foco é estético, a injeção também é chamada de “soro da beleza”.

Segundo especialistas, porém, a técnica, nesses casos, é ineficaz e, mais do que isso, pode ser muito perigosa.

Ao longo dos últimos anos, inclusive, o Brasil chegou a registrar casos de pessoas em coma e até óbitos depois da realização do procedimento. Por isso, a publicação da influenciadora gerou reação entre diversos médicos e entidades, que compartilharam nas redes sociais críticas à “terapia”.

O que é a soroterapia

A soroterapia é apresentada como uma nova modalidade de suplementação. O seu apelo é justamente o que Virginia descreveu: como a substância vai direto para a veia, a absorção dos nutrientes seria praticamente instantânea, sem passar pelo processo de digestão e absorção que ocorre com suplementos tomados por via oral.

Só que essa mesma característica que garantiria um efeito rápido também preocupa os especialistas. “Há riscos de intoxicação, arritmia e outras complicações“, explicou para a VEJA SAÚDE a médica Marcella Garcez, da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

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A atenção a esses riscos ganhou ainda mais força a partir de 2023, quando uma grávida de oito meses morreu, em Cuiabá (MT), após tomar, numa farmácia, um coquetel de vitaminas C e do complexo B para tratar sintomas gripais — o bebê também não resistiu.

Na época, a suspeita era de que a causa tivesse sido um choque anafilático, reação alérgica grave que pode ser letal. Em nota, o Conselho Federal de Farmácia destacou que esse tipo de mistura é contraindicado em caso de gravidez.

Além disso, não existe comprovação científica de que o soro faça efeito para pessoas sem deficiência de vitaminas, sobretudo para fins como embelezamento ou melhora da ação do sistema imunológico.

“A soroterapia é útil quando o indivíduo necessita dessa rápida absorção por algum motivo, como no caso de pacientes que fizeram uma cirurgia bariátrica ou que possuem doenças inflamatórias intestinais. Essas condições impedem o sistema digestivo de metabolizar os nutrientes tomados via oral”, explica Marcella.

Ela também pode ser recomendada para pacientes internados em hospitais ou que não podem receber substâncias via oral, de maneira geral. Ou seja, o procedimento tem indicação clínica real, mas para casos específicos e não como recurso genérico contra uma gripe ou cansaço de viagem.

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“É como utilizar um remédio para hipertensão: é preciso ter prescrição e contar com acompanhamento médico”, comparou o nutrólogo Andrea Bottoni, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Segundo ele e Marcella, o problema é que a prática foi banalizada, sobretudo depois da pandemia, quando muita gente recorreu à soroterapia na tentativa de reforçar as defesas do organismo.

Quais os riscos da soroterapia?

Hoje, boa parte das aplicações de soroterapia é vendida com apelo estético ou de boom para “imunidade“. Por isso, muitas entidades médicas já emitiram alertas sobre o assunto.

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), por exemplo, destacou que a prática da soroterapia para pessoas saudáveis não tem comprovação científica e pode expor os pacientes a sérios riscos.

“Qualquer infusão endovenosa oferece riscos no local da punção venosa, como infiltrações, infecção local, trombose, entre outros. Também pode provocar arritmias cardíacas, náuseas, intoxicação e anafilaxia, por exemplo”, disse, em nota.

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Por fim, além de ser fundamental ter uma indicação clara para recorrer a esse método de suplementação, o processo precisa acontecer em ambiente hospitalar ou em clínica credenciada, o que, geralmente, não acontece para as aplicações banalizadas.

“Esses locais são fiscalizados e seguem um protocolo para ter a permissão de oferecer a soroterapia. Ao menor sinal de problema, é essencial contar com uma equipe de emergência”, ressalta Marcella.

Também há farmácias credenciadas para realizar esse tipo de serviço, mas, segundo o Conselho Federal de Farmácia, nunca em pacientes grávidas.

Todo suplemento precisa de indicações

Para ter ideia, especialistas alertam que até as formas mais corriqueiras de suplementação, como cápsulas e gomas, podem ser perigosas quando não há indicação clínica. Imagine, então, uma aplicação diretamente na corrente sanguínea.

O risco existe porque doses extras de nutrientes nem sempre se traduzem em benefício. Aliás, o excesso pode causar problemas.

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O abuso de vitamina C, por exemplo, popular entre quem busca reforçar a imunidade, pode levar a diarreia e outros distúrbios gastrointestinais.

Por isso, antes de recorrer a qualquer suplemento — seja em cápsula, seja na veia —, a recomendação médica é consultar um profissional de saúde de confiança e verificar se existe, de fato, uma deficiência nutricional a ser corrigida.

“No Brasil, é obrigatória a comprovação de necessidade por meio de exames laboratoriais”, explica o Cremesp. Além disso, a entidade destaca que médicos não podem “divulgar procedimentos de forma sensacionalista” e “induzir pacientes à garantia de resultados”.

Para a maioria das pessoas, sem indicação clínica específica, uma alimentação equilibrada e variada continua sendo o caminho mais seguro para evitar carências nutricionais.

 



Fonte: Saúde Abril

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