O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (23) que alguns países tiveram seus produtos taxados em 50% porque não “têm se dado bem” com o governo americano.
Trump não citou o Brasil diretamente, mas o país foi o único a receber uma tarifa de 50% entre as 25 cartas enviadas pelo republicano para notificar seus parceiros comerciais sobre as novas taxas que entrarão em vigor a partir de 1º de agosto.
“Teremos uma tarifa direta e simples entre 15% e 50%”, disse Trump durante um evento sobre IA em Washington. “Algumas serão de 50% porque não temos nos dado muito bem com esses países.”
O presidente americano tem reiterado que considera uma “caça às bruxas” o julgamento de seu aliado ideológico, o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu em processo no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de ser o líder de uma tentativa de golpe de Estado com o objetivo de impedir a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.
Na carta na qual notificou o governo brasileiro sobre a tarifa de 50% e em declarações posteriores, Trump exige que o processo contra Bolsonaro seja interrompido.
No evento sobre IA, Trump sugeriu que elevará de 10% para 15% a taxa universal anunciada em abril, para países que escaparam de suas “tarifas recíprocas“. Segundo ele, a alíquota será cobrada “porque não é possível negociar acordo com todos”.
Ontem, Trump anunciou um acordo com Japão, em que reduziu de 25% para 15% as tarifas que serão cobradas sobre os produtos exportados pelo país aos EUA. O acerto, que inclui o acesso de empresas americanas ao mercado japonês e US$ 550 bilhões em investimentos nos EUA, pode destravar outras negociações com a Casa Branca.
Mais cedo, diplomatas da União Europeia (UE) sugeriram que as negociações com o governo Trump avançaram e que o bloco pode aceitar uma tarifa de 15% sobre os produtos exportados aos EUA. O republicano confirmou que as conversas eram “sérias”, mas voltou a pressionar os parceiros europeus.
“Se eles concordarem em abrir o bloco para as empresas americanas, então, vamos deixá-los pagar uma tarifa muito mais baixa”, afirmou o presidente americano.
Fonte: Valor Econômico