A toxoplasmose é uma doença infecciosa causada pelo protozoário Toxoplasma gondii.
Na maioria das pessoas adultas, ela não causa sintomas, mas, em algumas, pode se manifestar por meio de dores musculares, fadiga e febre. Em casos mais raros, é possível ocorrer comprometimento ocular.
O maior risco associado à doença é relacionado às grávidas, pois a infecção pode ser transmitida ao feto, causando a chamada toxoplasmose congênita.
Entre as sequelas desse quadro, o neném pode nascer prematuramente ou ter problemas como microcefalia, inflamação no cérebro ou aumento no tamanho do fígado.
Toxoplasmose é transmitida por gatos?
Não exatamente. O próprio Ministério da Saúde esclarece que o contato com gatos e felinos não causa toxoplasmose.
O que existe, na verdade, é uma cadeia de transmissão indireta. O parasita pode estar presente nas fezes de bichanos infectados, que, por sua vez, contaminam o solo.
O risco, portanto, não está em conviver com o animal, mas, por exemplo, em levar à boca resíduos desses excrementos (o que pode acontecer ao limpar a caixinha de areia sem cuidado ou ao brincar em parques com terra contaminada).
“A transmissão acontece, por exemplo, se uma pessoa tem contato com areia contaminada pelas fezes destes animais e depois leva a mão à boca“, explica o infectologista Renato Grinbaum, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Mesmo assim, esse tipo de contaminação é considerado incomum. Na verdade, a via mais importante de disseminação é outra.
Ou seja: “a principal forma de transmissão da toxoplasmose é oral, através de carnes mal passadas, vegetais mal lavados ou consumo de água não tratada“, diz Grinbaum.
Também vale lembrar que nem todo gato está infectado. Afinal, para tanto, o animal precisa ter tido contato com o parasita em algum momento.
Por isso, gatos domésticos, que não têm acesso à rua ou à natureza e se alimentam só de ração dificilmente contraem a infecção.
“Não é um mito que gatos podem transmitir a toxoplasmose. Mas, seria um exagero culpá-los pela doença”, conclui Grinbaum.
Vale dizer, ainda, que existem formas muito mais raras de contaminação, como respirar partículas contaminadas no ar, por acidentes com agulhas ou instrumentos contaminados, por transfusão de sangue ou por transplante de órgãos.
Cuidados na gravidez
Para as gestantes, o recado é que não é necessário afastar os bichanos de casa.
Mas, como todo cuidado é pouco, o importante é manter a higiene adequada, evitando levar à mão na boca após manipular caixa de areia, por exemplo.
Também é válido testar os animais de casa e não deixá-los ter acesso à rua. Além disso, com ou sem gatinhos na residência, é preciso evitar alimentos não higienizados e água não tratada.
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Fonte: Saúde Abril