Ou seja, a leitura de que há intencionalidade eleitoral nas sanções norte-americanas une católicos e evangélicos, desconstruindo a tese de que o segundo grupo está alinhado com o posicionamento de lideranças religiosas que apoiam Flávio Bolsonaro.
No total da população, o retrato do país é similar ao das igrejas cristãs: 53% dos brasileiros enxerga as digitais da política eleitoral nas sanções, contra 32% que veem apenas razões econômicas por trás do muro tarifário.
Se a fé não separa os brasileiros na hora de interpretar as intenções de Trump, a preferência partidária escancara o abismo de narrativas. O levantamento também mediu a percepção de acordo com a intenção de voto no primeiro turno e revelou realidades paralelas.
Entre aqueles que declaram voto em Lula, 67% afirmam que a atitude da Casa Branca pretende influenciar as eleições no Brasil, enquanto 17% consideram a decisão puramente comercial.
Já entre os eleitores que pretendem votar em Flávio Bolsonaro, o cenário se inverte. Uma fatia de 49% sustenta que a medida é puramente econômica e 37% admitem haver motivações políticas na decisão do aliado americano.
O tarifaço de Trump e o impacto nas eleições
O governo Donald Trump criou um problema para empresas e empregos no Brasil ao confirmar o tarifaço de 25% sobre uma parcela de nossas exportações para lá. Como justificativa, a Casa Branca reclamou do desmatamento brasileiro, usando dados antigos e ignorando que a taxa de perda florestal na Amazônia hoje é a menor em uma década. Também atacou o Pix e a obrigação de Big Techs seguirem as regras brasileiras e pediu mais vantagens para seus setores econômicos.
Fonte: Terra