Marina Silva não é vítima por acaso. Mulher, negra, evangélica, historiadora e uma das vozes mais respeitadas do ambientalismo global, ela representa tudo o que a extrema direita brasileira mais odeia: competência técnica e autoridade feminina. Para figuras como Valério, atacá-la não é um erro, é um requisito para se manter relevante em um espectro político que troca pautas por pancadaria verbal.
Não é a primeira vez que o senador tenta ganhar holofotes às custas dela. Ele já havia dito que gostaria de enforca-la. Agora, repete o script, apostando que o ódio gera mais engajamento que o debate. O mais irônico? Plínio Valério se apresenta como defensor dos valores cristãos. Mas qual moral cristã prega que um homem não deve reparar seus erros por medo de parecer fraco?
O que ele chama de medo de perder eleitores é, na verdade, o reconhecimento de que sua carreira depende de um Brasil que ainda enxerga a política como uma disputa de virilidade em meio à terra arrasada. Um Brasil onde parte da população aplaude quem esbraveja, mas desconfia de quem argumenta. Onde a grosseria é confundida com “autenticidade”, e a educação, com “frescura”.
No final das contas, o maior prejudicado não é Marina Silva, que já está acostumada a lidar com homens pequenos, mas a própria democracia. Quando um parlamentar admite que prefere o preconceito ao diálogo, ele normaliza a ideia de que política é uma guerra suja, não um espaço para resolver problemas reais.
Enquanto países avançados discutem redução de emissões de carbono, igualdade de gênero e inovação, o Brasil ainda tem que gastar energia com debates se um senador deve ou não pedir desculpas por ofensas machistas a uma ministra. É um atraso que custa caro, pois enquanto Valério faz suas contas eleitorais, o Amazonas queima, as mulheres são silenciadas e a política afunda um pouco mais no pântano da mediocridade.
Marina Silva segue trabalhando e homens como Plínio Valério seguem transformando o Legislativo em ringue de masculinidade frágil. A diferença é que ela constrói políticas públicas. Ele, apenas constrói apenas vergonha.
Fonte: Terra