Um superiate ligado ao homem mais rico da Rússia conseguiu passar pelo Estreito de Ormuz. O Nord, um iate de 142 metros avaliado em mais de US$ 500 milhões, partiu de uma marina em Dubai, cruzou o estreito na manhã de sábado e chegou a Muscat, em Omã, no início da manhã de domingo.
Segundo a Reuters, que noticiou a travessia em primeira mão, não ficou claro como a embarcação obteve permissão para usar a rota, já que o Irã tem restringido o tráfego por Ormuz, por onde passam normalmente 20% do petróleo mundial.
Embora o superiate esteja registrado oficialmente em nome de uma empresa russa pertencente a Marina Mordashova, a propriedade real da embarcação é atribuída ao seu marido, o bilionário Alexey Mordashov. Tanto Marina quanto Mordashov são alvos de sanções impostas por autoridades dos Estados Unidos e da União Europeia (UE).
Dono de uma fortuna de quase US$ 37 bilhões, de acordo com a revista Forbes, Mordashov voltou a ser o homem mais rico da Rússia neste ano. O patrimônio do homem de 60 anos está ligado à siderúrgica Severstal, onde é o acionista majoritário e da qual foi CEO por 19 anos antes de renunciar em 2015.
De acordo com a Bloomberg, Mordashov começou a sua carreira como economista na usina siderúrgica de Cherepovets, a 482 km de Moscou e onde seus pais trabalharam como operários. Ele possui MBA pela Northumbria University e licenciatura e mestrado pelo Instituto de Engenharia e Economia de Leninegrado.
Na década de 1990, quando a fábrica foi privatizada, ele comprou ações dos trabalhadores para evitar que investidores externos assumissem o controle, acabando por se tornar o dono da empresa aos 31 anos e renomeando a siderúrgica para Severstal. A empresa é hoje a maior siderúrgica e mineradora da Rússia, que exporta para mais de 50 países.
Ainda segundo a Bloomberg, Mordashov, que tem sete filhos, também possui participações na Nordgold, uma mineradora de ouro, na rede de supermercados Lenta e na empresa de engenharia Power Machines. Ele chegou o maior acionista individual do grupo de turismo TUI. Através do seu grupo de investimentos, Severgroup, o bilionário controla ativos em diversos setores da economia russa.
Além de seus negócios, de acordo com o jornal The Guardian, Mordashov conta com itens típicos de grandes fortunas, como um jato particular e ao menos um iate.
O Bombardier Global 6000 do bilionário possui uma cabine espaçosa, capaz de transportar 14 passageiros, e um alcance que lhe permite viajar 11 mil km, sem escalas, como de São Paulo a Estocolmo.
O Nord, que compartilha o nome com a empresa de mineração de ouro de Mordashov, foi construído pelo estaleiro alemão Lürssen e entregue em 2021. O navio, que custou meio bilhão de dólares, ostenta design de interiores italiano, além de um heliponto.
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O superiate foi “projetado com uma ideia em mente: deve causar fortes emoções em todos os observadores, não apenas por seu tamanho imponente, mas também pelo próprio design”, segundo a descrição do estaleiro.
Oligarca e sancionado pela guerra na Ucrânia
Mordashov foi identificado pela UE como um dos oligarcas russos, pessoas que enriqueceram após um programa de privatização realizado devido ao colapso da União Soviética.
Esse programa distribuiu na mão de poucas pessoas, a preços baixos, grande parte das riquezas do país em empresas de setores estratégicos como energia, mineração, aço e bancos. Os oligarcas se tornaram muito ricos e passaram a fazer parte do círculo de poder da Rússia.
Segundo a UE, Mordashov possui laços estratégicos com o governo russo e foi sancionado para pressionar economicamente Putin após o início do conflito com a Ucrânia, em 2022.
A UE já expressou diversas preocupações em relação a Mordashov, alegando que o Rossiya Bank, no qual possui participação financeira, é o “banco pessoal” de altos funcionários russos que se beneficiaram com a anexação da Crimeia.
Além disso, o bloco também já afirmou acreditar que as empresas de mídia nas quais Mordashov investe contribuíram para a desestabilização da Ucrânia por meio de emissoras de televisão pró-Rússia.
Fonte: Valor Econômico