Um surto de hantavírus em navio foi relatado para a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta semana. A embarcação partiu do Ushuaia, Argentina, em 1º de abril, com itinerário pelo Atlântico Sul e total de 147 passageiros e tripulantes, de 23 países diferentes.
Em balanço da OMS publicado dia 4 de maio, foram registrados sete casos de hantavírus entre as pessoas do navio, sendo três mortes confirmadas, um em estado crítico e três com sintomas leves.
O começo dos sintomas entre as pessoas infectadas no cruzeiro ocorreu entre os dias 6 e de 28 de abril e foram caracterizados por febre, sintomas gastrointestinais, rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
Os casos seguem sendo investigados. Desde a última segunda (4), o navio foi ancorado na costa de Cabo Verde e, agora, segue rumo à ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias.
Autoridades de Cabo Verde, Países Baixos, Espanha, África do Sul e Reino Unido estão envolvidos em medidas de gerenciamento do caso.
O hantavírus causa a hantavirose, uma zoonose viral aguda, transmitida por meio de roedores infectados com o vírus. Após as três mortes no navio MV Hondius nos últimos dias, a OMS não descarta a possibilidade rara de transmissão entre humanos.
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O que é o hantavírus?
O hantavírus é um vírus zoonótico que infecta de forma natural roedores e podem ser transmitidos, ocasionalmente, a humanos.
A infecção em pessoas pode causar doenças graves com um índice elevado de letalidade. Segundo a OMS, os sintomas e manifestações clínicas podem mudar conforme o tipo de vírus e localização geográfica. No Brasil, por exemplo, o vírus causa a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).
A hantavirose é raramente transmitida entre humanos, mas ela pode acontecer por meio de gotículas de pacientes e um contato mais íntimo e persistente, afirma Moacyr Silva, infectologista do Einstein Hospital Israelita.
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Como acontece a transmissão do hantavírus?
De acordo com o Ministério da Saúde, a infecção humana por hantavirose acontece de forma mais frequente por meio da inalação de aerossóis, formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores
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Percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordedura de roedores;
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Contato do vírus com mucosa (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
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Transmissão pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada ao hantavírus Andes.
Quanto ao período de incubação do vírus, isto é, prazo em que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é, em média, de uma a cinco semanas (de 3 a 60 dias).
Sintomas do hantavírus
Entre os sintomas do hantavírus, estão:
Fase inicial
Fase cardiopulmonar
O Ministério da Saúde enfatiza que diversos fatores estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão relacionados ao aumento da população de roedores silvestres, como o desmatamento desordenado, expansão das cidades para áreas rurais e áreas de grande plantio, o que favorece a interação entre homens e roedores silvestres.
Hantavírus no Brasil
Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SCSA) do Ministério da Saúde, no Brasil, foram registrados 2.377 casos de hantavirose entre 1993 e 2024.
Do total de casos, houve 937 óbitos pela doença, o que representa uma letalidade de 39,42%.
Crédito: Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SCSA) do Ministério da Saúde (MS).
Entre o perfil da maioria dos casos confirmados no Brasil é constituído de pessoas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, homens entre 20 a 39 anos. A taxa de letalidade média é de 46,5%, segundo o Ministério da Saúde.
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Atividades de risco associadas a casos de hantavírus no Brasil
Conforme material do Ministério da Saúde, entre as atividades de risco associadas a casos confirmados de hantavirose no Brasil, a exposição e/ou limpeza de casas fechadas, galpões (principalmente em áreas rurais) está relacionada a 54% das pessoas que tiveram hantavirose no país.
Veja a relação das atividades de riscos de casos confirmados de hantavírus no Brasil:
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Exposição e/ou limpeza de casas fechadas, galpões (principalmente em áreas rurais)
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Desmatamento, aragem de terra, plantio agrícola
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Teve contato com roedores silvestres vivos ou mortos
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Moagem e/ou armazenamento de grãos
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Pescou, caçou e/ou realizou turismo ecológico
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Dormiu e/ou descansou em barracas, galpões (principalmente em áreas rurais)
Crédito: Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SCSA) do Ministério da Saúde (MS).
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Por Lucas Afonso
Jornalista
Fonte: Uol