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O avanço da geração prateada e seu impacto no consumo | Renato Bernhoeft

O avanço da geração prateada e seu impacto no consumo | Renato Bernhoeft
Colunista destaca que muitas empresas ainda não desenvolveram produtos e serviços adequados às necessidades da população idosa — Foto: Pexels


As pesquisas mais recentes indicam que a chamada geração “prateada” no Brasil — a população acima de 50 anos — deverá crescer de forma expressiva nas próximas décadas. Em 2024, esse grupo movimentava cerca de 1,8 trilhão; em 2044, a estimativa é que esse número alcance 3,8 trilhões. Sob a ótica do consumo, os maiores de 50 anos representavam 24% dos consumidores em 2024 e deverão chegar a 35% em 2044.

Trata-se de uma parcela da população que contribui de maneira significativa para a economia e para a manutenção das famílias brasileiras, especialmente quando se considera que parte dos mais jovens ainda está inserida no fenômeno “nem-nem”: nem estuda, nem trabalha.

Apesar do avanço dos estudos sobre esse público, muitas empresas ainda não desenvolveram produtos e serviços adequados às suas necessidades. Ao mesmo tempo, a análise do orçamento das famílias com idosos revela um aumento relevante dos gastos com saúde, em detrimento de áreas como educação, recreação e cultura, que vêm perdendo espaço.

A própria noção de envelhecimento também está mudando. Hoje, considera-se uma idade média de 76 anos, mas, até 2044, deve crescer o contingente de pessoas com 80 anos ou mais.

Além dos gastos com saúde, observa-se aumento nas despesas com vestuário, transporte, alimentação e habitação. Um segmento que tem se expandido rapidamente é o de residências para idosos, tanto para estadias temporárias quanto permanentes. O tema ainda gera debate, já que, tradicionalmente, o cuidado com os mais velhos era assumido pelas famílias.

Colunista destaca que muitas empresas ainda não desenvolveram produtos e serviços adequados às necessidades da população idosa — Foto: Pexels

As políticas públicas também entram no centro dessa discussão. Pessoas que não conseguiram formar uma reserva financeira ao longo da vida tendem a enfrentar dificuldades para manter seu padrão de vida, sobretudo diante da pressão sobre os sistemas de previdência, causada pelo aumento do número de aposentados em relação aos contribuintes e pela queda nas taxas de natalidade.

Como observa o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, professor aposentado da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), “crianças consomem menos que adultos e idosos. A renda das pessoas cresce com a educação, que tende a avançar com a idade. E o retorno dessa formação aparece ao longo do tempo, geralmente após os 50 anos. Portanto, a mudança demográfica também altera o padrão de consumo”.

Fica evidente que o governo, sozinho, não dará conta do desafio do envelhecimento populacional. Estudos e indicadores precisam estimular a mobilização de diferentes atores, como poder público, empresas e empreendedores. Ao mesmo tempo em que impõe desafios, esse cenário de transformação também abre oportunidades.

Por fim, há uma dimensão individual incontornável: é fundamental se preparar para um envelhecimento ativo do ponto de vista físico, financeiro e emocional. Para quem está na meia-idade, o alerta é ainda mais relevante, já que ainda há tempo para ajustar projetos de vida e construir um envelhecimento mais saudável e sustentável.

Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho da höft consultoria.



Fonte: Valor Econômico

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