Em um mercado de suplementos que não para de bombar no Brasil, é difícil encontrar algum que tenha conquistado tantos adeptos quanto a creatina. Famosa por dar um empurrãozinho na performance em atividades físicas, ela também passou a ser repleta de promessas ambiciosas que vão muito além dos seus usos originais, frequentemente sem base científica.
No sentido oposto, o suplemento também é acompanhado de supostas contraindicações que nem sempre se sustentam. Um dos temores mais persistentes em torno da creatina é que ela faria mal aos rins.
Vale destacar: hoje, não há evidências científicas robustas sobre um possível dano renal causado pelo uso da creatina.
Entenda melhor de onde surgiu essa história e quais são as verdadeiras recomendações atualizadas nessa seara.
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Qual a origem do temor? E o que diz a ciência?
Um possível malefício da creatina aos rins entrou no radar dos especialistas no final dos anos 1990, após a publicação de um trabalho descrevendo essa situação no prestigiado periódico científico The Lancet. O alarde foi tanto que várias agências regulatórias baniram o suplemento na época, inclusive no Brasil.
Só que o artigo havia sido interpretado de forma equivocada, exagerada e um tanto sensacionalista: não se tratava de um estudo propriamente dito, controlado, randomizado e feito com diversos participantes para comparar os efeitos. Na verdade, o texto da Lancet se referia a um único relato de caso, envolvendo um fisiculturista que tinha apenas um rim.
E o achado que baseou o alerta era a elevação dos níveis de creatinina no seu sangue. Em condições normais, ela realmente pode ser um indício de problemas renais. Só que, hoje, a ciência sabe que a creatina aumenta os níveis de creatinina sem necessariamente indicar um dano aos rins.
Além disso, o relato de caso feito com o fisiculturista até pode ter encontrado uma disfunção renal, mas o verdadeiro culpado parece ser outro: não o suplemento, mas um provável uso de anabolizantes, que de fato danificam esses órgãos independentemente do uso da creatina.
Atualmente, não há pesquisas robustas demonstrando problemas renais causados pelo uso da creatina – o que se reflete com a liberação desse suplemento em vários países que antes o proibiam, o que também ocorreu no Brasil.
Recomendações e cuidados
Em relação aos rins, hoje, não existe uma contraindicação absoluta para o uso de creatina. Por precaução, recomenda-se que pessoas com histórico de doença renal crônica ou outros problemas nos rins só façam a suplementação com o devido acompanhamento médico.
Mas, a rigor, é uma boa ideia que essa indicação seja seguida por qualquer pessoa, independentemente do histórico de saúde: todo suplemento novo só deve ser incorporado na rotina com a devida orientação profissional, mesmo quando o produto é considerado seguro.
A dose necessária ou eficaz para seu caso pode ser diferente daquela usada por outra pessoa e, mesmo sem riscos significativos à saúde, sempre podem surgir efeitos colaterais indesejados.
Você deveria tomar creatina?
Fonte: Saúde Abril