O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. Em cerimônia marcada por discursos em defesa da saúde pública e da ciência frente ao negacionismo, o chefe do Executivo criticou a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia.
Pré-candidato à reeleição, Lula pretende explorar politicamente a condução da pandemia para endereçar críticas à família Bolsonaro, diante do desempenho do senador e também pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais.
A data escolhida, 12 de março, remete ao registro da primeira morte por covid-19 no Brasil. A pandemia deixou mais de 700 mil mortos no país.
Lula voltou a criticar a postura de Bolsonaro diante da crise sanitária e afirmou que faltou respaldo técnico à condução do governo durante a pandemia. Para ele, a criação de datas em memória das vítimas só faz sentido quando é possível “cravar o nome de quem foi responsável”.
“Eu nunca pessoalmente acusei o ex-presidente [Jair Bolsonaro], partia do pressuposto que ele podia saber de nada. Porque, muitas das vezes, as falas dele na televisão eram a demonstração de uma ignorância absoluta sobre o assunto”, disse. Em seguida, acrescentou que presidentes não precisam dominar todos os assuntos, mas devem “pelo menos ouvir quem sabe”.
O chefe do Executivo também atribuiu parte da condução da pandemia aos ministros da Saúde do governo Bolsonaro, sem citá-los nominalmente. À frente da pasta durante a crise sanitária estiveram Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga.
“Ele [Bolsonaro] colocou três ministros da Saúde, que apenas o primeiro parecia que entendia um ‘pouquinho’ de saúde; o outro [era] vendedor de remédio; e outro era um general que a impressão que dava é que não sabia absolutamente nada”, declarou.
Lula questionou ainda por que entidades médicas não abriram processos por crime contra a humanidade contra o então presidente da República, os ministros da Saúde e médicos que divulgaram medicamentos sem eficácia comprovada e criticaram as vacinas. “É preciso que a gente comece a dizer o nome das pessoas que participaram disso”, afirmou.
“Vocês sabem que o governo [Bolsonaro] era composto por um monte de gente que fazia questão de se fazer de ignorante. Por isso, levou o país a um sacrifício desnecessário”, disse. Na avaliação de Lula, caso especialistas tivessem sido consultados, teria sido possível evitar a morte de 400 mil pessoas, entre as 700 mil vítimas da pandemia.
Fonte: Valor Econômico