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Introdução
O tratamento da lesão medular, comprovado pela ciência, consiste em cirurgia (se indicada) e reabilitação intensiva contínua. Apesar da eficácia, o acesso a essa abordagem é limitado nas redes pública e privada do Brasil, que carecem de infraestrutura e profissionais. O debate sobre terapias experimentais desvia o foco do que já funciona e precisa ser garantido.
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- O padrão ouro para lesão medular é cirurgia (se indicada) e reabilitação estruturada, intensiva e contínua.
- O principal desafio é garantir acesso a esse tratamento comprovado, não apenas focar em terapias experimentais.
- A oferta de reabilitação é insuficiente e desigual no Brasil, nas redes pública e privada.
- Há escassez de profissionais especializados, como fisiatras, essenciais na coordenação do cuidado.
- A demanda por reabilitação cresce, exigindo prioridade no acesso ao que já funciona.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Nos últimos meses, a repercussão em torno de terapias experimentais para o tratamento da lesão medular voltou a mobilizar famílias, pacientes e profissionais de saúde em torno do tema. A expectativa é compreensível.
Trata-se de uma condição que afeta 15 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e compromete de forma profunda a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida.
Mas, se a proposta é defender a ciência, vale lembrar que a evidência disponível hoje já aponta um caminho claro para esse tipo de lesão. O padrão ouro consiste na abordagem cirúrgica – quando indicada – associada a um trabalho de reabilitação estruturada, intensiva e contínua, conduzida por equipe interdisciplinar gerenciada e inserida em um percurso assistencial capaz de dar sequência ao cuidado.
Ignorar essa etapa é reduzir o tratamento justamente onde ele mais interfere na autonomia futura do paciente.
+Leia também: O sonho caminha: a polilaminina e outras apostas contra a lesão medular
Tratamento da lesão medular: o que a ciência já comprova
Enquanto boa parte do debate público se concentra em terapias novas e em desenvolvimento, o país ainda não consegue garantir uma etapa já respaldada pela evidência e reconhecida como parte primordial do tratamento.
Na rede pública, a principal espinha dorsal dessa assistência está nos Centros Especializados em Reabilitação, que somavam 324 unidades em 2025. Ainda assim, a oferta segue majoritariamente ambulatorial e insuficiente para responder, de forma homogênea, à demanda de pacientes que precisam de cuidado mais intensivo e continuado.
Hoje, para se conseguir atenção especializada, o caminho é estreito, especialmente sob os critérios de disponibilidade, acomodação e adequação da oferta.
Desigualdade no acesso à reabilitação no Brasil
No setor privado, a oferta também não é tão abrangente. Embora existam iniciativas relevantes, elas ainda parecem concentradas em grandes centros urbanos e nas capitais, sem distribuição igualitária pelo território.
Uma escassez que se revela até mesmo no número de profissionais dedicados. A fisiatria, por exemplo, especialidade médica voltada para reabilitação por avaliar funcionalidade, definir objetivos terapêuticos e coordenar o trabalho interdisciplinar, reúne apenas 0,2% dos especialistas médicos do país — um dos mais baixos contingentes no cenário nacional.
Demanda crescente por reabilitação preocupa especialistas
O desafio ganha dimensão ainda maior quando se observa o tamanho da demanda potencial. Dados mais recentes do IBGE mostram que o Brasil tinha 18,6 milhões de pessoas com deficiência em 2022, segundo a PNAD Contínua.
Em paralelo, o envelhecimento populacional e o aumento da sobrevivência após eventos agudos, como AVC, trauma, internações prolongadas e pós-Covid ampliam a necessidade de reabilitação e reforçam a pressão sobre uma rede que ainda opera de forma desigual no território.
Defender a ciência não se trata apenas de apostar no novo, mas também de assegurar acesso ao que já demonstrou eficácia. Em um tema como lesão medular, isso significa garantir que o paciente tenha, no momento certo, o melhor ambiente de cuidado, com intensidade terapêutica compatível com sua fase de recuperação.
O futuro importa, mas, além de se pesquisar e discutir o que pode vir, é preciso garantir à população o que já sabemos que funciona.
Polilaminina: o que é e como funciona?
*Simone Lino é médica, especialista em Fisiatria, gerente médica de reabilitação do Hospital Valsa de Reabilitação, e atua em ambiente hospitalar e ambulatorial desde 1990.
Fonte: Saúde Abril