PUBLICIDADE

João Inácio Jr: Lavagem nasal incorreta leva apresentador ao hospital; como fazer direito?

João Inácio Jr: Lavagem nasal incorreta leva apresentador ao hospital; como fazer direito?
Lavagem nasal com alto volume é técnica fundamental para o tratamento de infecções nas vias respiratórias. (woratep/Getty Images)


O apresentador e radialista cearense João Inácio Jr. foi internado na última sexta-feira, 19, em Fortaleza, após ser diagnosticado com uma mastoidite bilateral grave, uma infecção bacteriana que atinge os ossos localizados atrás das orelhas.

Criador da trend “Será que eu sou?”, o comunicador revelou que a complicação foi provocada pela realização incorreta da lavagem nasal, técnica que ajuda a aliviar sintomas de resfriados e prevenir doenças respiratórias. 

O método foi indicado ao radialista como parte do tratamento para sinusite (inflamação dos seios da face), mas, segundo contou à imprensa, ele teria feito as lavagens com aplicação exagerada de pressão.

Inácio Jr. revelou, ainda, que o uso adicional de força foi motivado pela recomendação de um vídeo que assistiu nas redes sociais.

Como consequência, com o passar dos dias, ele relatou que passou a sentir dores de cabeça que classificou como “insuportáveis” e disse em postagem no Instagram que chegou a se sentir “praticamente surdo”.

Considerada benéfica para a saúde das vias aéreas superiores, a lavagem nasal fluidifica o muco do nariz e remove alérgenos, poluentes e partículas virais acumuladas.

Por isso, ela previne crises de rinite e sinusite, diminui o inchaço, facilita a respiração e, segundo estudos, é capaz, até mesmo, de diminuir a duração de infecções como gripes e resfriados, bem como impedir que evoluam para pneumonias.

Continua após a publicidade

No entanto, embora raras, algumas complicações podem surgir caso o método seja realizado sem os devidos cuidados. A seguir, entenda como realizá-lo corretamente.

João Inácio atualizou fãs sobre estado de saúde por meio de vídeo divulgado para a imprensa local. (Instagram/Reprodução)

Quais as possíveis complicações da lavagem nasal incorreta?

Antes de mais nada, o médico Márcio Salmito, otorrinolaringologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ressalta um ponto importante: a lavagem nasal é recomendada para todo mundo, de bebês a idosos.

Isso porque a técnica é extremamente segura e faz muito bem para a saúde. “É super recomendada e todos podem fazer”, reitera Salmito. “Mas, como em qualquer intervenção de saúde, existe um pequeno risco, a depender de como for feita.”

Então, sim, alguns erros podem causar desconforto e até complicações. E o principal perigo está, justamente, em nossos ouvidos

Continua após a publicidade

A lavagem nasal é a irrigação das cavidades nasais com soro fisiológico e pode ser feita com o uso de seringas, sprays ou garrafinhas.

Essas últimas, que promovem uma hidratação com alto volume de líquido, são as mais recomendadas. No entanto, para usá-las, é preciso exercer certo controle da pressão da saída do soro com as mãos.

E é aí que mora o erro mais comum. Muita gente acredita que, quanto mais força, mais eficiente é a lavagem. Mas não é bem assim.

Quando a pessoa empurra o soro com muita intensidade, ou inclina a cabeça demais, o líquido pode escorrer até a tuba auditiva, a estrutura que conecta o nariz ao ouvido.

Pense nela como um pequeno cano entre os ouvidos e as narinas que normalmente fica fechado e só abre quando você engole. Se o soro chegar lá, você pode ter um pequeno incômodo ou, a depender das circunstância, a umidade na região pode ser o estopim de uma otite, a inflamação do ouvido médio.

Continua após a publicidade

Entre as situações que favorecem a ocorrência de uma inflamação a partir do contato com o soro estão a presença pré-existente de bactérias na região ou de viroses, como gripes e resfriados.

Sem tratamento adequado, uma otite (seja qual for a causa) pode se disseminar ao osso próximo ao ouvido e causar mastoidite, como ocorreu com o apresentador cearense.

Além disso, outras complicações possíveis são sinusite provocada pelo contato do soro com o seio facial ou pequenos ferimentos na mucosa nasal, causados por um mau jeito ao manusear os aparelhos para a lavagem, provocando sangramento.

Mas, apesar dos alertas, Salmito lembra, de novo, que complicações são raras. Além disso, são facilmente evitáveis fugindo de erros simples.

Por dentro da mastoidite

Como visto, a complicação enfrentada por João Inácio Jr. não tem uma relação direta com a lavagem nasal, mas, sim, com a otite (que, sim, pode ter sido causada pelo mau uso da técnica).

Continua após a publicidade

Essa sequência pode acontecer porque o ouvido e o osso mastóide compartilham uma comunicação direta. “São praticamente uma mesma estrutura”, diz Salmito.

Por isso, em dias ou semanas depois da otite inicial, uma mastoidite pode se manifestar com dor intensa, inchaço, febre e secreção no ouvido.

Sem os devidos cuidados, ela pode evoluir para complicações como surdez, sepse (infecção generalizada no sangue), meningite (inflamação nas membranas que revestem o cérebro) e, até, morte.

Tomás Filipe Pellegrini Lopes, otorrinolaringologista do Hospital Alvorada Moema, da Rede Américas, explica que esse é um quadro sério.

Para ter ideia, a mastoidite ocorre quando uma infecção se torna tão intensa que pode corroer parte do osso localizado atrás da orelha.

Continua após a publicidade

Com isso, forma-se uma cavidade onde o pus se acumula, criando um inchaço doloroso na região. “De certa forma, é um mecanismo de defesa do organismo, que tenta expulsar o material infeccioso”, explica o médico.

Já o tratamento depende da gravidade do quadro. Em casos mais leves, pode ser possível controlar a infecção apenas com internação e antibióticos administrados na veia. Inácio Jr., por exemplo, está internado desde a sexta-feira, 19.

Já quando há um abscesso maior ou risco de complicações, costuma ser necessária uma cirurgia para drenar o pus e remover a secreção acumulada dentro do osso.

Em algumas situações, também é colocado um tubo de ventilação no tímpano para facilitar a drenagem e evitar novos acúmulos de líquido.

E como fazer lavagem nasal corretamente?

De volta à lavagem nasal, os médicos explicam que, para que o método seja eficaz e seguro, é importante usar a solução adequada e adotar a técnica correta.

O ideal é utilizar uma solução salina a 0,9%. Ela pode ser comprada pronta ou preparada em casa com os sais próprios vendidos em farmácias misturados à água (que pode ser da torneira, inclusive).

Salmito recomenda que o líquido esteja morno, próximo à temperatura corporal, o que ajuda a tornar o procedimento mais confortável.

Na hora da lavagem, recomenda-se ficar em frente à pia, inclinando levemente a cabeça para a frente e um pouco para o lado. O bico da garrafinha ou do dispositivo deve ser colocado na narina que estiver mais alta.

Em seguida, o soro deve ser aplicado suavemente, sem pressão excessiva, permitindo que o líquido percorra as cavidades nasais e saia pela narina oposta.

Além disso, Lopes menciona que outro cuidado é evitar direcionar o aplicador para o centro do nariz. Isso porque o septo nasal — estrutura que separa as duas narinas — pode ser lesionado pela ponta de uma seringa, spray ou outro dispositivo, provocando irritação.

Para evitar esse problema, basta apontar o aplicador em direção à orelha do mesmo lado da narina em que o soro está sendo introduzido.

Dessa forma, o jato segue para a lateral da cavidade nasal, onde estão os principais canais de drenagem dos seios da face, reduzindo o risco de trauma.

É importante, ainda, higienizar adequadamente o dispositivo após cada uso, principalmente quando ele for reutilizável. Isso ajuda a prevenir a proliferação de bactérias e reduz o risco de contaminação.

Vacina da gripe 2026: onde tomar e para quem é indicada



Fonte: Saúde Abril

Leia mais

PUBLICIDADE