A JetBlue Airways está sendo processada em uma ação coletiva que alega que a companhia usa dados pessoais de clientes para definir os preços das passagens, após sua resposta a uma publicação em redes sociais levantar preocupações de que a empresa empregaria “precificação por vigilância”.
De acordo com uma queixa apresentada na noite de quarta-feira (22) em um tribunal federal do Brooklyn, a JetBlue Airways oculta o uso de “rastreadores” para definir preços de forma dinâmica e compartilha dados com terceiros cujos programas a ajudam a decidir quando elevar as tarifas.
“Os consumidores não deveriam ter seus direitos de privacidade violados para participar da corrida digital [da JetBlue Airways] por passagens aéreas, que deveriam custar o mesmo para cada passageiro em assentos equivalentes”, disse o autor da ação, Andrew Phillips, na queixa.
A JetBlue Airways se recusou a comentar o processo nesta quinta-feira (23). Também afirmou que não usa dados pessoais nem inteligência artificial (IA) para definir os preços das passagens.
A precificação por vigilância permite que empresas utilizem históricos de navegação, localização e outros dados pessoais para estabelecer preços individuais.
O processo foi apresentado após uma troca de mensagens em 18 de abril na rede X, na qual um passageiro elogiou a JetBlue Airways, mas disse que “um aumento de US$ 230 em uma passagem após um dia é loucura. Só estou tentando chegar a um funeral”.
A resposta da JetBlue Airways disse que o passageiro deveria tentar “limpar o cache e os cookies ou reservar usando uma janela anônima. Sentimos muito por sua perda”.
A companhia, com sede em Long Island City, Nova York, afirmou na segunda-feira que sua resposta estava incorreta, acrescentando que “as tarifas podem mudar a qualquer momento à medida que assentos são comprados ou conforme o inventário é ajustado com base na demanda”.
Na terça-feira, dois legisladores democratas no Congresso pediram à JetBlue Airways que respondesse a perguntas detalhadas sobre precificação, incluindo se utiliza dados pessoais “para informar os preços”.
Em novembro, cerca de duas dezenas de parlamentares do Congresso pediram à Delta Air Lines que esclarecesse se utilizava ou planejava utilizar inteligência artificial generativa na definição de preços. A companhia respondeu que não.
A ação de Andrew Phillips busca indenização não especificada por supostas violações, pela JetBlue Airways, de uma lei federal contra interceptação ilegal de comunicações e das leis de proteção ao consumidor do estado de Nova York.
Fonte: Valor Econômico