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Governo rebate prefeitura e diz que empresários pediram liberação da Ponte do Esqueleto

Governo rebate prefeitura e diz que empresários pediram liberação da Ponte do Esqueleto


A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), afirmou nesta segunda-feira (15) que desde 2024 vem solicitando apoio das prefeituras da região para restringir o acesso à Ponte do Esqueleto, onde ocorreu a morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues na manhã do último sábado (13) durante um salto de rope jump. A manifestação ocorreu em resposta à posição da Prefeitura de Limeira de processar o Governo Federal na Justiça por omissão.

Em nota, a SPU informou que a ponte chegou a ser bloqueada por alguns meses, mas a reabertura foi “posteriormente discutida e defendida por empresários locais durante sessão na Câmara de Vereadores de Limeira”. Conforme a SPU, o bloqueio ocorreu em 2024, após a morte da ciclista Kelly Stefani de Oliveira Alves, de 38 anos, ao cair da mesma ponte enquanto pedalava.

Já a prefeitura de Limeira assegura que a responsabilidade pela fiscalização e controle de acesso à ponte é exclusiva da União e afirma que vem cobrando providências dos órgãos federais desde 2025.

“Os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais”, afirmou o órgão. A secretaria acrescentou no comunicado que será necessário “decidir o futuro da Ponte do Esqueleto de forma conjunta”.

O órgão ainda destacou que que o processo de incorporação da ponte ao patrimônio da União “só foi autorizado em 2026”. A estrutura pertence a um trecho nunca implantado da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), localizado em propriedades particulares.

A nota da Prefeitura de Limeira cita que desde 2025 providências para o bloqueio da ponte vinham sendo cobradas junto aos órgãos federais responsáveis pela ponte. “A administração municipal e a Câmara Municipal, por iniciativa da vereadora Bruna Magalhães, já haviam encaminhado ofícios aos órgãos responsáveis cobrando medidas de segurança. Nenhuma providência concreta foi adotada”.

 

Associação de Ecoturismo

Também nesta segunda-feira, a Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) se manifestou e afirmou que as imagens amplamente divulgadas e as informações preliminares apontam para uma grave falha nos procedimentos de segurança, “incompatível com os padrões defendidos pela ABETA e pelas normas técnicas aplicáveis”.

“Como entidade que, há mais de duas décadas, atua incansavelmente pela promoção de um turismo responsável, seguro e de qualidade, a Abeta repudia veementemente a negligência, o despreparo e a irresponsabilidade que culminaram nesta perda inaceitável”, traz o comunicado.

A Abeta destacou que “nunca autorizou qualquer atividade esportiva ou de outra natureza” na Ponte do Esqueleto.

“Somos categoricamente a favor de operações turísticas com as devidas autorizações, com registro no CADASTUR, com empresa formalizada (CNPJ) e, principalmente, com o rigoroso cumprimento da Lei Geral do Turismo e Decreto (desde 2010) – que obriga as empresas brasileiras ao atendimento às normas técnicas estabelecidas pela ABNT. Em atividades de risco, é absolutamente necessária a implementação do Sistema de Gestão de Segurança (SGS), especialmente a ABNT NBR ISO 21101, que estabelece os requisitos gerais e específicos de procedimentos, processos, checagem, manutenções e toda a documentação necessária para mitigar os perigos inerentes às operações, além da existência do Plano de Atendimento a Emergência, a ser acionado, em caso de incidentes.”

A associação defende a urgente necessidade de uma Política Nacional de Prevenção de Acidentes no Turismo de Natureza.

 

Tragédia

A Ponte do Esqueleto é uma estrutura desativada com cerca de 40 metros sobre o Ribeirão do Tatu. Está localizada na Rodovia Doutor Cássio de Freitas Levy, entre as cidades paulistas de Limeira e Cordeirópolis, a 70km de Campinas.

Maria Eduarda morreu na manhã de sábado (13) após sofrer uma queda durante uma atividade de rope jump na região da Ponte do Esqueleto, em Limeira.

Segundo informações da Polícia Militar, a vítima caiu de uma altura aproximada de 40 metros durante o salto. O Corpo de Bombeiros e equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados, mas o óbito foi constatado ainda no local.

De acordo com o boletim de ocorrência, uma testemunha afirmou aos policiais que a empresa responsável pela atividade esqueceu de instalar a corda de segurança antes do salto.



Fonte: Hora Campinas

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