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Introdução
Um novo fármaco, o MK6240, mostrou-se mais eficaz que o padrão atual para detectar precocemente a proteína tau, um biomarcador crucial da doença de Alzheimer, em exames de imagem. Pesquisa coordenada por brasileiros revela que o composto pode identificar o acúmulo da proteína antes do surgimento dos sintomas.
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- MK6240: Novo radiofármaco para detecção precoce da proteína tau em exames PET.
- A proteína tau está ligada à lesão neuronal e progressão do Alzheimer.
- O MK6240 identificou mais que o dobro de casos positivos de tau comparado ao flortaucipir.
- Pesquisadores brasileiros coordenaram o estudo internacional publicado na The Lancet.
- A detecção da tau é crucial para entender o risco e a progressão da doença.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Um novo fármaco em desenvolvimento se mostrou eficaz para ajudar a detectar precocemente biomarcadores da doença de Alzheimer em exames de imagem — superando, inclusive, o medicamento padrão-ouro disponível hoje.
Na vanguarda dos estudos com a substância estão brasileiros que têm coordenado uma pesquisa sobre o tema. A seguir, confira os principais achados das análises:
O MK6240 é um radiofármaco utilizado para tornar mais evidentes certos traços do organismo em exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET). Neste caso, ele é ideal para revelar emaranhados da proteína tau no cérebro, uma molécula fortemente associada ao desenvolvimento do Alzheimer.
A identificação de acúmulo da tau no sistema nervoso central não resulta necessariamente no diagnóstico da doença — que leva em consideração os sinais clínicos, como o declínio da memória e de outras habilidades. No entanto, pode ser uma forma de reconhecer quem tem maior risco de apresentar comprometimento cognitivo.
“A doença de Alzheimer começa silenciosamente no cérebro muitos anos antes dos primeiros esquecimentos”, escreveram os autores à VEJA SAÚDE. “Hoje sabemos que duas proteínas anormais se acumulam ao longo desse processo: primeiro a beta-amiloide, que forma placas entre os neurônios, e depois a proteína tau, que forma emaranhados dentro das células cerebrais.”
Daí o interesse de cientistas de desenvolver drogas que facilitem essa detecção. Atualmente, o medicamento utilizado para fazer os exames de tomografias nesses casos é o flortaucipir.
O ensaio clínico
O estudo está sendo conduzido pelo consórcio internacional HEAD Study, idealizado e coordenado por pesquisadores brasileiros que estão trabalhando na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados em maio no periódico The Lancet.
Para a pesquisa, participaram 682 indivíduos dos Estados Unidos e do Canadá. Como resultado, o MK6240 identificou mais que o dobro de casos positivos para a proteína tau em comparação com o radiofármaco atualmente mais utilizado.
O resultado foi observado entre pessoas saudáveis, de 50 a 89 anos e positivas para o acúmulo da proteína beta-amiloide — também associada a maior risco de Alzheimer.
O MK6240 ajudou a identificar emaranhados de tau em 15% das pessoas escaneadas, enquanto o flortaucipir encontrou em apenas 6%.
Entre indivíduos com a cognição já comprometida, o MK6240 permitiu observar o acúmulo em 28% dos casos, já o flortaucipir facilitou a identificação em 16% dos participantes.
Palavra de Especialista
A seguir, leia a entrevista com o neurologista Tharick Pascoal, líder do estudo, e os coautores Bruna Bellaver, farmacêutica, e Guilherme Povala, cientista da computação.
VEJA SAÚDE: O que os emaranhados de proteína tau no cérebro dizem sobre o risco de Alzheimer? A pessoa irá, necessariamente, ter demência?
A doença de Alzheimer começa silenciosamente no cérebro muitos anos antes dos primeiros esquecimentos.
Hoje sabemos que duas proteínas anormais se acumulam ao longo desse processo: primeiro a beta-amiloide, que forma placas entre os neurônios, e depois a proteína tau, que forma emaranhados dentro das células cerebrais.
A grande diferença entre essas duas proteínas está no impacto clínico que elas causam. A beta-amiloide, que hoje também pode ser detectada por exames de sangue, pode permanecer acumulada no cérebro por décadas sem provocar sintomas.
Já a proteína tau está diretamente ligada à lesão e morte dos neurônios, sendo o principal motor biológico do declínio cognitivo na doença de Alzheimer.
Em outras palavras, é o espalhamento da tau pelo cérebro que marca a transição entre uma alteração biológica silenciosa e o surgimento dos sintomas clínicos da doença.
Quanto maior a quantidade de tau e quanto mais regiões cerebrais forem afetadas, maior tende a ser a perda de memória, a dificuldade de raciocínio e a perda progressiva da independência funcional.
A presença de tau detectada por exames de PET não significa que a demência aparecerá de forma imediata. Mas quando a tau já está presente em quantidade significativa ou disseminada por várias regiões do cérebro, a deterioração cognitiva nos anos subsequentes é apenas uma questão de tempo.
Por isso, esse exame, diferentemente dos exames anteriores de amiloide, funciona como um verdadeiro definidor de progressão da doença.
A velocidade dessa progressão varia entre os indivíduos e é influenciada por fatores como escolaridade, reserva cognitiva, hábitos de vida e presença de outras doenças cerebrais.
Ainda assim, a tau é hoje considerada o biomarcador que melhor reflete a gravidade, a progressão e o impacto clínico da doença de Alzheimer.
Hoje existe alguma forma de combater esses emaranhados?
Atualmente, ainda não existem medicamentos aprovados para uso clínico capazes de remover diretamente os emaranhados de tau do cérebro.
No entanto, diversos estudos clínicos randomizados em fases avançadas já estão em andamento testando terapias direcionadas especificamente à proteína tau, considerada hoje um dos principais motores biológicos da neurodegeneração e da progressão clínica da doença de Alzheimer.
Esses exames de tomografia para identificar emaranhados em pessoas com a cognição intacta tem indicação clínica? Tem algum grupo que deveria fazer esse tipo de investigação fora de estudos?
No momento, a recomendação clínica para o uso de PET com traçadores para proteína tau (tau PET) é em pessoas que já apresentam sintomas cognitivos.
Nesses casos, o exame pode ajudar médicos e pacientes a entender melhor se os sintomas estão relacionados à doença de Alzheimer e em que estágio biológico a doença se encontra.
O tau PET com traçadores para proteína tau também pode ajudar a estimar o possível benefício de terapias antiamiloide já disponíveis, uma vez que estudos clínicos sugerem que pacientes em fases mais iniciais de deposição de tau tendem a se beneficiar mais desses tratamentos do que aqueles em estágios mais avançados.
Para pessoas com cognição normal, mesmo aquelas com maior risco genético para Alzheimer, o uso de tau PET ainda não é recomendado rotineiramente fora do contexto de pesquisa. Isso porque ainda não temos tratamentos aprovados especificamente para indivíduos assintomáticos com risco aumentado.
No futuro, se houver medicamentos aprovados para prevenir ou retardar a doença em pessoas cognitivamente intactas, mas com alto risco biológico, por exemplo, por predisposição genética ou acúmulo de beta-amiloide, o uso clínico do tau PET poderá se tornar mais amplo.
Como o MK6240 funciona? Por que ele revela mais emaranhados de tau do que o flortaucipir?
O MK6240 é um marcador utilizado em exames de tomografia que se liga aos emaranhados de tau no cérebro, permitindo que essas alterações sejam visualizadas por imagem.
O alvo biológico do MK6240 é semelhante ao de outros marcadores de tau PET, incluindo o flortaucipir.
A principal diferença está na sua capacidade de se ligar com maior afinidade e sensibilidade às proteínas tau, especialmente em fases muito iniciais do processo patológico.
Se imaginarmos a proteína tau como um metal e o radiotraçador como um ímã, podemos dizer que o MK6240 funciona como um ímã mais potente e mais preciso, capaz de detectar quantidades muito pequenas e ainda iniciais de tau no cérebro.
Isso permite visualizar alterações cerebrais em fases mais precoces da doença de Alzheimer, muitas vezes antes que exista comprometimento cognitivo significativo.
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Fonte: Saúde Abril