O que significa ser criança nos dias de hoje? E como a arte pode dialogar com a imaginação, a curiosidade e a liberdade típicas da infância? Essas são algumas das questões que norteiam “Para Crianças”, nova exposição que convida pequenos e adultos a vivenciarem experiências artísticas que estimulam o brincar, a criação e a descoberta.
Reunindo obras de artistas brasileiros e internacionais, a mostra apresenta diferentes formas de enxergar a infância como um território de invenção, experimentação e aprendizado. Ao longo do percurso, o público encontra instalações, animações, espaços interativos e trabalhos colaborativos que colocam as crianças no centro da experiência artística.
A exposição também faz um resgate histórico de como a infância passou a ocupar um lugar importante na arte contemporânea, especialmente a partir dos anos 1960, quando movimentos ligados à contracultura passaram a valorizar a espontaneidade e a liberdade criativa das crianças. Um dos marcos desse período é a obra Divisor (1967/68), da artista brasileira Lygia Pape, referência fundamental para a reflexão proposta pela mostra.
Um museu onde desenhar no chão é permitido
Logo na entrada, os visitantes são recebidos pela instalação Mega Please Draw Freely, criada pelo artista japonês Ei Arakawa-Nash. A obra convida crianças e adultos a desenhar diretamente no chão do espaço expositivo, rompendo uma das regras mais tradicionais dos museus.
A proposta é simples e poderosa: estimular a expressão livre, sem julgamentos ou preocupações com o resultado final, valorizando o processo criativo acima de tudo.
Um espaço pensado para brincar livremente
Outro destaque é Caixa de Areia, nova instalação da artista brasileira Graziela Kunsch. Desenvolvida especialmente para crianças de 15 meses a 5 anos, a obra cria um ambiente dedicado à exploração sensorial e ao brincar espontâneo.
O espaço reúne montanhas, túneis, mesas de brincar e estruturas de madeira preenchidas com areia fina e seca, incentivando a experimentação livre. Enquanto as crianças exploram o ambiente, os adultos são convidados a observar e acompanhar as descobertas feitas pelos pequenos.
Um universo mágico de cores e imaginação
Na animação Lake Valley (2016), a artista norte-americana Rachel Rose cria um universo repleto de imagens coloridas, narrativas fantásticas e reflexões sobre o tempo, a memória e a forma como percebemos o mundo.
Misturando elementos da ciência, do cinema, da literatura e das artes visuais, a obra transporta o público para uma experiência sensorial que estimula o encantamento e a imaginação.
Arte para falar sobre medos e desafios
A exposição também mostra como a arte pode ajudar crianças a lidar com temas complexos. O artista indonésio Agus Nur Amal PMTOH aborda questões relacionadas às mudanças climáticas e aos desastres ambientais por meio de histórias inspiradas no universo infantil. Suas obras utilizam brinquedos e elementos familiares para criar conexões com temas delicados de forma acessível.
Já a artista brasileira Rivane Neuenschwander desenvolveu um projeto baseado nos medos compartilhados por crianças. Após rodas de conversa e dinâmicas coletivas, os participantes desenharam seus receios, que posteriormente foram transformados em vestimentas pelo designer Guto Carvalhoneto.
O resultado é uma obra que transforma sentimentos muitas vezes difíceis de expressar em experiências visuais e criativas.
Mapa do local
Exposição ‘Para crianças: experiências com a arte desde 1968’ na Pinacoteca
Data
30 Mai-18 Out
Preço(s) Gratuitos aos sábados – R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos
três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso
Horário(s) de quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h).
Endereço
Av. Tiradentes, 273,
Fonte: Guia da Semana