Dois Boeing 737 MAX 8 operados pela Gol Linhas Aéreas foram devolvidos ao arrendador poucos meses após a entrega e enviados para desmontagem nos EUA
Dois Boeing 737 MAX 8 que começaram a operar pela Gol Linhas Aéreas no segundo semestre de 2025 foram retirados de serviço poucos meses após a entrega, devolvidos a uma empresa de leasing e enviados para desmontagem no Pinal Airpark, no estado norte-americano do Arizona.
As aeronaves apresentaram sucessivos problemas técnicos desde a entrada em operação, reduzindo sua disponibilidade operacional e elevando os custos de manutenção, segundo informações divulgadas pelo portal A View from the Wing.
Os aviões de matrículas PS-GRM e PS-GRN foram oficialmente devolvidos ao arrendador no fim de março.
Os problemas
De acordo com a publicação, as duas aeronaves apresentaram frequentes intervenções de manutenção logo após a entrega. Entre as ocorrências relatadas estão falhas nos motores CFM LEAP-1B, problemas relacionados ao centro de gravidade e diversas anomalias em outros sistemas da aeronave.
As falhas resultaram em baixa disponibilidade para operação (dispatch reliability reduzida), aumento das visitas à oficina de manutenção e custos operacionais superiores ao esperado para aeronaves recém-fabricadas.
Segundo o relato, a combinação desses fatores levou à decisão de devolver os aviões ao arrendador, em vez de realizar um processo de recuperação técnica.
Processo pré-devolução
Após poucos meses de operação comercial, os dois 737 MAX foram encaminhados para o centro de manutenção da Gol no aeroporto internacional de Belo Horizonte (CNF).
As aeronaves permaneceram aproximadamente sete semanas em manutenção antes de serem devolvidas ao proprietário. Posteriormente, seguiram para os EUA, onde seus componentes passaram a ser destinados ao mercado de peças de reposição.
O PS-GRM realizou seu primeiro voo em 25 de julho de 2025, enquanto o PS-GRN voou pela primeira vez em 9 de outubro de 2025.
Terceiro avião
Outro Boeing 737 MAX 8 (PS-GRO) inicialmente destinado à Gol também foi devolvido ao arrendador, mas seguiu um caminho distinto.
A aeronave nunca entrou em operação comercial pela companhia brasileira nem chegou a ser formalmente aceita. Após permanecer cerca de três meses nas instalações da Lufthansa Technik, foi recolocada no mercado de leasing.
Em julho, o avião passou a integrar a frota da Air Algérie, recebendo a matrícula 7T-VLQ como parte do programa de modernização da frota da companhia argelina.
A entrada em serviço dessa aeronave contrasta com a situação dos outros dois jatos, indicando que os problemas relatados podem não estar associados a uma sequência específica de produção.
Hipótese
As duas aeronaves desmontadas chegaram a ser descritas como parte de um suposto “lote defeituoso”. Entretanto, seus números de linha de produção estão separados por mais de cem unidades, enquanto o PS-GRO, produzido entre ambos, foi posteriormente entregue a outra companhia aérea.
Até o momento, não há confirmação da Boeing, da Gol ou do arrendador sobre a origem exata das falhas ou sobre a existência de um problema sistêmico envolvendo essas aeronaves.
Também não foram divulgadas informações indicando que outros Boeing 737 MAX 8 produzidos no mesmo período tenham apresentado ocorrências semelhantes.
Desmontagem
Após a chegada ao Pinal Airpark, as aeronaves passaram a ser destinadas ao processo de desmontagem, no qual componentes de maior valor comercial podem ser recuperados para utilização como peças de reposição em outras aeronaves da família 737 MAX.
A devolução ao arrendador encerra também as obrigações operacionais da companhia aérea relacionadas aos contratos de leasing dessas aeronaves, enquanto a destinação final dos ativos permanece sob responsabilidade do proprietário.
Fonte: Uol