Inspirada pela ousadia surrealista de Salvador Dalí, a escultura “Rinoceronte Vestido de Banco”, criada pelo artista João Caçador, está em exposição na praça em frente ao Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC). A obra, integrante do Festival Ocre, une arte e funcionalidade: além de escultura, funciona como banco com capacidade para duas pessoas, convidando o público a interagir diretamente com a peça.
A instalação não foi escolhida por acaso. O rinoceronte remete a um momento marcante da cena cultural de Campinas: em 1998, uma exposição de Salvador Dalí levou à mesma praça uma escultura do animal, que ficou registrada na memória da cidade.
O fotógrafo da Prefeitura de Campinas, Carlos Bassan, reúne imagens que relembram a mostra de 1998 e reforçam a conexão entre passado e presente. Para João Caçador, a obra vai além de um tributo.
“A obra é mais do que uma homenagem a Dalí. É também uma forma de lembrar que, naquele mesmo lugar, esteve uma das obras mais incríveis do mundo”, explicou Caçador.
Caçador também compartilhou sua memória pessoal sobre a exposição de 1998. “Lembro-me bem da época em que visitei a exposição. Estava na escola e matei aula para ir ver as obras”, recorda.
A experiência foi decisiva para sua carreira. “Ver o rinoceronte de perto foi incrível e me instigou a ser um artista”. Por isso, a escolha do local para a nova peça foi uma coincidência celebrada por ele. “Foi como um presente do universo”.
Uma obra para tocar e usar
Diferentemente do primeiro rinoceronte que esteve em Campinas no ano 1998, a nova escultura foi concebida para interação total.
“Queria que a escultura pudesse ser tocada, mais do que isso, que o público pudesse estar dentro da escultura, subir, deitar, sentar”, detalha o artista. A ideia de transformá-la em um banco surgiu para que a interação acontecesse de forma espontânea.
Para a construção do rinoceronte, que pesa aproximadamente 90 quilos e mede 2,2 metros de comprimento, foram utilizados cerca de 110 metros de vergalhão de ferro, material comum em obras e construções civis. A escolha do material estabelece uma relação com a arte urbana contemporânea.
Legado para o acervo do MACC
A instalação integra a programação comemorativa dos 60 anos do MACC. A escultura permanecerá exposta na área externa do museu durante quatro meses, aberta à visitação livre.
Depois desse período, será incorporada definitivamente ao acervo da instituição. Para o artista, a participação do público é o que finaliza a criação. “A obra só está completa quando estiver sendo utilizada. Desse modo, espero que ao sentar no banco, o público se sinta parte integrante da escultura”, conclui.
Fonte: Hora Campinas