Típica do clima frio e úmido, a araucária pode ser encontrada a partir de 500 metros de altitude nos estados do Sul. Na Mantiqueira, ela começa a aparecer só depois dos mil metros de altitude, explica Mariana Carvalho, pesquisadora visitante na Universidade da Antuérpia, Bruxelas, ligada à Universidade de São Paulo, USP.
“Cientificamente falando, a presença da araucária na Mantiqueira é natural. Estudos que fizemos com fósseis de pólen mostram que ela está lá há pelo menos 20 mil anos, ou seja, antes de os humanos estarem presentes nesta parte do continente”, afirma Carvalho.
A espécie e o pinhão foram vitais já para os primeiros habitantes do país. Pinturas rupestres encontradas no Paraná recentemente ilustram, entre outros elementos, araucárias. Segundo o estudo publicado por Henrique Simão Pontes, o painel pode ser de autoria de indígenas do grupo Jê, há aproximadamente três mil anos.
“É uma espécie muito importante. Por isso estudamos como ela se adaptou às mudanças climáticas do passado para entender o que pode acontecer no futuro, neste contexto de aumento de temperaturas que o planeta vive”, comenta Carvalho.
Pegar e deixar
No Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, escalar araucárias para o corte da pinha fez parte da tradição de muitas famílias. A prática dificulta a reprodução da espécie, pois as sementes são retiradas antes de chegar ao solo e serem dispersadas por animais. Por conta disso, colheita, venda, transporte e armazenamento do pinhão são proibidos antes de abril, época em que o pinhão maduro geralmente começa a cair.
Fonte: Uol