A rede de moda C&A informou na manhã desta quinta-feira (7), em teleconferência de analistas, que vai acelerar investimentos depois de ter atingido baixo nível de endividamento. Historicamente, a rede é mais conservadora nesses movimentos, frente a outras cadeias, por isso o fato chamou a atenção do mercado. Durante a conversa com o mercado, a ação da varejista aprofundou a perda, passando de cerca de 5% para 7% no início da manhã.
O presidente da empresa, Paulo Corrêa, disse que a companhia deve fechar este ano com oito aberturas, e a ideia é atingir de 15 a 20 em 2026, um patamar de inaugurações perto daquele dos anos pré-pandemia, quando a rede acelerou crescimento via expansão orgânica.
“Serão cinco novas lojas a serem abertas ainda neste ano num total de 8, e ter 15 a 20 inaugurações para 2026. Vamos retomar a dinâmica de abertura de lojas”, disse ele.
Isso está sendo possível porque a empresa alcançou uma taxa de endividamento baixo, em 0,3 vez, a menor desde a abertura de capital, em 2019, disse a companhia, após ser questionada por analista sobre a possibilidade de esse cenário tornar a rede mais agressiva.
Além disso, a companhia está lançando um plano de aceleração de investimentos logísticos e de maior estrutura de distribuição, que deve levar ao total de R$ 200 milhões a R$ 250 milhões em três anos.
“No lugar de grande centralização, teremos uma maior descentralização e, com isso, queremos em 2026 ter quatro ‘hubs’ [espécies de mini CDs] e um grande centro de distribuição. A ideia é um programa de cerca de três anos, e até 2027 será implementação total, com nível de investimentos de R$ 200 a R$ 250 milhões de capex em três anos”, disse ele.
A companhia citou hoje a criação de uma “nova estratégia logística” para distribuição ficar mais perto da loja, que passa por mais granularidade na distribuição da coleção pelos centros e hubs, para ter o produto certo no local certo, de forma que isso permita que a mercadorias chegue mais rápido no endereço do cliente.
“Numa venda acelerada em um lugar distante, a entrega se dará em alguns dias, e com isso podemos estar perdendo venda. A ideia é ser mais assertivo e ter mais consistência em cada loja”, disse.
“A ideia é acelerar investimentos após o segundo semestre. Devem ser 20 reformas neste ano, mas pretendemos chegar a 30 no ano que vem. Ainda estamos debatendo com o conselho de administração, mas temos plano de acelerar reformas, até pelo novo conceito de lojas que vai entrar em modo de aceleração em 2026.”
Esse novo conceito informado nesta manhã terá a loja pioneira a ser inaugurada no dia 22 de agosto, um dia antes da abertura da primeira loja da sueca H&M no Brasil.
“O novo conceito será o oficial da rede. Isso traz vida para todas as iniciativas que temos implementado. Vai precisar de ajustes, até porque é sempre assim e, nos varejistas mundiais, é comum ter várias versões de lojas”, afirmou.
Fonte: Valor Econômico