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Bolsonaro mandou Cid distribuir remédio proibido no Brasil durante a pandemia, diz jornal | Política

Bolsonaro mandou Cid distribuir remédio proibido no Brasil durante a pandemia, diz jornal | Política
Bolsonaro e Mauro Cid — Foto: Edilson Dantas/O Globo - 22/10/2022


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mandou o tenente-coronel Mauro Cid distribuir a aliados um medicamento de uso proibido no Brasil durante a pandemia de covid-19, informou, nesta quarta-feira (27), o jornal “O Estado de S.Paulo”. Segundo a reportagem, até hoje o produto não tem registro na Anvisa e está apenas em fase de testes ao redor do mundo.

Trata-se da proxalutamida, um medicamento produzido na China para testes no combate a determinados tipos de câncer. A reportagem lembra que, em 2021, bolsonaristas começaram a defender, com base em informações falsas, o uso desse remédio para o combate à covid-19.

As informações foram extraídas pela Polícia Federal (PF) do telefone celular de Mauro Cid usado em 2021 e mostram que o então ajudante de ordens da Presidência da República conseguiu obter uma carga desse medicamento. Ele “acertou diretamente com Jair Bolsonaro a entrega do remédio para diversos aliados”. Procuradas, as defesas de Bolsonaro e de Cid não quiseram se manifestar sobre o assunto.

A reportagem traz prints e áudios da troca de mensagens entre Bolsonaro e Cid e indica que os diálogos “revelam, pela primeira vez, que Bolsonaro e Mauro Cid também estavam envolvidos na distribuição irregular desse medicamento”.

Artigo 273 do Código Penal

Investigadores ouvidos pela reportagem sob anonimato afirmam que, como se tratava de uma substância proibida no Brasil, a sua distribuição poderia caracterizar o crime do artigo 273 do Código Penal, que prevê uma pena de dez a quinze anos de reclusão para quem vende ou entrega medicamentos sem registro do órgão de vigilância sanitária competente.

Segundo a reportagem, a operação também teve a participação do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, atual deputado federal pelo PL-RJ. Ele também não quis se manifestar.

Os diálogos de Mauro Cid mostram que Pazuello defendeu junto a Bolsonaro o uso da proxalutamida como um medicamento de combate aos sintomas da covid-19, mesmo quando já não ocupava mais o cargo de ministro da Saúde.

Em um dos diálogos, Mauro Cid perguntou a Pazuello se a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) tinha aprovado o uso do medicamento e se era possível determinar a sua compra pública. O general respondeu que a comissão havia pedido correções e ainda iria reavaliar o assunto.

Apesar da declaração do ex-ministro, as ações que levaram à suspensão do uso da substância inclusive para pesquisa foram motivadas por questões éticas verificadas pela Conep e pela expansão ilegal dos testes com a proxalutamida para o Rio Grande do Sul e o Amazonas, especificamente em Manaus.

Irmão do cantor Amado Batista

A reportagem traz ainda outros diálogos que corroboram a informação de que Cid, sob o comando de Bolsonaro, distribuiu os comprimidos para diversos aliados, entre eles um empresário em Goiânia e até para o irmão do cantor Amado Batista. E, que Pazuello deveria fazer o “acompanhamento”.

As mensagens também mostram que Bolsonaro mandou Cid entregar o medicamento para a família do deputado Luciano Bivar, que presidiu o PSL, partido pelo qual ele se elegeu à Presidência da República. O irmão de Bivar estava internado com covid-19 e, por isso, foi enviado o remédio a ele.

Procurado, Bivar confirmou ter recebido o medicamento, mas disse que não foi usado. “Me recordo sim, ele foi muito gentil em pedir que esse remédio chegasse às minhas mãos, mas o médico do meu irmão não administrou o remédio”, afirmou.



Fonte: Valor Econômico

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