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Aprendizado infantil está fortemente ligado a engajamento de pais e não só a vivência em sala de aula, diz Nobel de Economia | Brasil

Aprendizado infantil está fortemente ligado a engajamento de pais e não só a vivência em sala de aula, diz Nobel de Economia | Brasil
James Heckman — Foto: Divulgação/University of Chicago


Muito se pensa em vivências em salas de aula ao tratar do aprendizado de crianças na primeira infância, mas o engajamento dos pais tem forte importância, avaliou nesta terça-feira (21) o economista James Heckman, vencedor do Nobel de Economia 2000, ao participar de evento na Fundação Getulio Vargas (FGV).

“Quando pensam em aprendizado de crianças, as pessoas pensam em experiências em sala de aula, mas engajar os pais é muito importante. Nossos estudos mostram o impacto de programas de ensino voltado aos pais. […] Quando mais cedo as crianças são expostas, maior é a velocidade de aprendizado”, afirmou ele, em palestra na Conferência Internacional de Teoria Econômica Pública (organizada pela Association for Public Economic Theory, a APET, na sigla em inglês).

O laureado apresentou estudo sobre um programa de educação de pais e cuidadores na área rural da China, inspirado em iniciativa anterior da Jamaica em visitas em residências. Os programas consistem em encontros semanais de uma hora com esses responsáveis, que recebem instruções para o desenvolvimento de habilidades das crianças em três áreas: linguagem, cognição e coordenação motora fina.

Uma das vantagens desse tipo de iniciativa é o custo bem mais baixo que outras mais avançadas e voltadas diretamente às crianças. Um programa de visitas domiciliares semanais, segundo ele, pode representar apenas 5% do valor investido em outros.

Na pesquisa, foram comparadas as competências de crianças cujos pais passaram por esse tipo de treinamento ou não e também em que momento da vida da criança esse tipo de acompanhamento dos responsáveis foi iniciado.

Diretor do Centro de Economia do Desenvolvimento Humano da Universidade de Chicago, Heckman é especializado em educação, com destaque para a primeira infância. Ele desenvolveu o conceito de complementaridade dinâmica: a ideia é que o retorno dos aprendizados no futuro será maior quanto mais cedo esse aprendizado ocorrer.

“Na tecnologia de desenvolvimento de competências, trabalhamos com o conceito de complementaridade dinâmica. Quanto mais aprende mais cedo, mais aprende depois”, disse.

Em sua apresentação, foi crítico a avaliações padronizadas, muitas vezes criadas há muito tempo, quando as habilidades necessárias para o desenvolvimento de crianças e jovens era diferente. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) foi um dos exemplos citados por Heckman, para quem não há um padrão único para avaliar habilidades.

“Ao longo do ciclo da vida, novas habilidades se desenvolvem que não são capturadas por avaliação em determinada idade. […] Não há um unidade global constante. Há apreciação [ao longo do tempo] e não depreciação de habilidades”.



Fonte: Valor Econômico

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