Investigadores acreditam que a proposta de compra do Banco Master pela holding de investimentos Fictor tenha sido anunciada na segunda feira (17) como uma espécie de cortina de fumaça para facilitar a fuga de Daniel Vorcaro. Ele foi preso no aeroporto de Guarulhos, no mesmo dia, enquanto se preparava para deixar o Brasil.
A avaliação de investigadores é que Vorcaro, dono do Master, teria suspeitado que seria preso. A ordem de prisão foi assinada na tarde de segunda, mesmo dia em que foi divulgada a proposta de compra do banco e da prisão do empresário.
Em nota, a Fictor afirmou que tomou conhecimento pela imprensa da liquidação extrajudicial do Master e da decisão judicial que decretou a prisão de Vorcaro. Também informou que suspendeu a proposta de compra do banco.
“Reafirmamos nosso absoluto respeito ao Banco Central do Brasil e aos demais órgãos de segurança e controle, bem como nosso compromisso com a integridade, a transparência e a estabilidade do sistema financeiro brasileiro. Por se tratar de tema sob análise das autoridades, a Fictor não comentará o mérito das investigações”, disse.
Além de Vorcaro, foram presos preventivamente na operação Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Master; Luiz Antônio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia; Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria; e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, que consta como um dos sócios do Master. Já temporariamente foram presos André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto, fundadores da fintech Cartos.
Fraudes de R$ 12, 2 bi só no primeiro semestre de 2025
As prisões ocorreram no âmbito da Operação Compliance Zero, que combate a emissão de títulos de créditos falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). O esquema de fraude, segundo a PF, chegaria a R$ 12, 2 bilhões só no primeiro semestre de 2025. A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio do valor.
Além disso, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em espécie de um dos investigados, carros de luxo, obras de arte e relógios. Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do Banco de Brasília (BRB), bem como todos os diretores que integram o colegiado.
Procurados, o Master e os advogados de Vorcaro não responderam até a publicação desta reportagem.
Fonte: Valor Econômico