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Introdução
Até metade dos adultos com TEA enfrentam ansiedade diária. O diagnóstico é complexo devido à sobreposição de condições, demandando uma abordagem transdiagnóstica. Mascaramento, alexitimia e interocepção alterada são desafios. A TCC adaptada e o mindfulness surgem como tratamentos eficazes, com ressalvas para a medicação.
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- Até metade dos adultos com TEA convivem com ansiedade que prejudica o dia a dia.
- A avaliação da ansiedade em pessoas com TEA exige uma abordagem transdiagnóstica e integrada.
- Mascaramento, alexitimia e interocepção alterada são desafios específicos que impactam a ansiedade.
- A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) adaptada demonstra eficácia superior no tratamento.
- O tratamento farmacológico requer cautela, com possível menor resposta a ISRS e maior sensibilidade a efeitos adversos.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Até metade dos adultos com transtorno do espectro autista (TEA) convivem com níveis de ansiedade que prejudicam o dia a dia, estima um estudo norte-americano realizado há mais de uma década. Desde então, o diagnóstico de TEA têm sido cada vez mais comum nos consultórios — e, junto com ele, a suspeita de que os pacientes também tenham outros transtornos.
A avaliação é um desafio até mesmo para os especialistas e foi tema de uma palestra no Congresso sobre Cérebro, Comportamento e Emoções (Congresso Brain), realizado em Porto Alegre (RS) entre os dias 3 e 6 de junho.
O que profissionais da saúde propõem é uma abordagem transdiagnóstica para os casos. Isto é, a ansiedade nem sempre é um diagnóstico isolado do TEA. Muitas vezes, ela pode ser uma resposta natural de pessoas divergentes que se veem em conflito entre as expectativas e demandas do mundo à sua volta e a forma como conseguem processar a situação.
Por isso, o sintoma precisa ser avaliado de forma abrangente e deve-se trabalhar para identificar a causa dessa e de outras manifestações comuns a diferentes transtornos.
Adultos com transtorno do espectro autista exigem um olhar especial, já que muitos não tiveram diagnóstico na juventude e, portanto, não receberam tratamento adequado para suas questões.
Segundo a psiquiatra Malu Joyce de Amorim Macedo, é preciso ter atenção aos processos de mascaramento da condição que alguns pacientes apresentam e para a dificuldade que eles tem de reconhecer e descrever emoções e sensações.
“Quando falamos em ansiedade e autismo, estamos falando sobre sobreposição”, explicou a doutoranda em psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em apresentação no Congresso. “Muitas vezes, um adulto que chega para a avaliação ou mesmo para a psicoterapia ainda não está entendendo o que ele realmente está sentindo”.
Abaixo, conheça três termos técnicos que ajudam a entender as dificuldades de adultos autistas em lidar com a ansiedade.
1. Mascaramento
É como uma “camuflagem social“. Há uma tentativa da pessoa neurodivergente esconder traços da condição a fim de ser aceita por um grupo ou aprovada em determinada situação.
Esse hábito de “mascarar” os sinais do transtorno pode vir associado à ansiedade, porque o indivíduo chega a um estado de hipervigilância sobre seus próprios comportamentos, levando até a uma exaustão emocional.
2. Alexitimia
É o nome técnico para a dificuldade de reconhecer, entender e nomear as próprias emoções. É um desafio relativamente comum, mas cerca de 10 vezes mais frequente em pessoas com o transtorno do espectro autista.
A falta de ferramentas para lidar com o emaranhado de emoções ao longo da vida pode levar a quadros de profunda tristeza e frustração, gerando sintomas ansiosos e depressivos.
3. Interocepção alterada
Além de ter dificuldades para reconhecer as emoções, para quem está no espectro autista pode ser um desafio interpretar corretamente os sinais que o próprio corpo dá. Ou seja, as pessoas podem ter uma percepção muito sensível a fome, dor, temperatura ou batimentos cardíacos — ou, então, não ser capaz de notá-los.
Essa alteração pode ser um gatilho para a desregulação emocional, desencadeando crises de ansiedade ou até mesmo pânico.
Como lidar
É preciso avaliar o indivíduo de forma integrada. “Os sintomas do autismo passam pela interocepção e pela alexitimia para gerar os sintomas ansiosos e depressivos”, explica Macedo. “Isso corrobora a ideia de pensar nos sintomas ansiosos de forma mais dimensional e transdiagnóstica.”
Em relação aos tratamentos, a psiquiatra Alice Castro Menezes Xavier, pós-doutoranda da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), resumiu, em apresentação no congresso, o que funciona melhor para esse perfil de paciente. Psicoterapias precisam de adaptações e algumas classes de medicamentos podem ter uma resposta menor nesses pacientes.
“A TCC [terapia cognitivo-comportamental] adaptada se mostra superior na eficácia e no controle prolongado dos sintomas”, informa Xavier. “E os benefícios não ficam restritos aos sintomas nucleares da ansiedade. Também há vantagens para a [diminuição da] irritabilidade e a regulação emocional como um todo, também na rigidez cognitiva.”
A adaptação da TCC inclui uso de técnicas visuais, envolvimento dos interesses (hiperfocos) para aumentar o engajamento e organização em módulos claros para o reconhecimento das emoções e das habilidade sociais.
O mindfulness, que consiste em técnicas de atenção plena à respiração e ao momento presente, também pode ser um aliado para adultos autistas de nível 1 de suporte (alto funcionamento).
Em relação ao tratamento farmacológico, Xavier destaca que é recomendado evitar a polimedicação e que, na fase adulta, indivíduos com TEA podem apresentar maior sensibilidade a efeitos adversos, como piora da concentração, inquietação e alterações gastrointestinais. Além disso, cérebros neurodivergentes podem ter menor resposta ao uso de inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS).
* A repórter viajou à Porto Alegre à convite da organização do Congresso sobre Cérebro, Comportamento e Emoções (Congresso Brain)
Fonte: Saúde Abril