PUBLICIDADE

A vida escondida no ar: estudo revela ecossistema na neblina amazônica

A vida escondida no ar: estudo revela ecossistema na neblina amazônica
Micro-organismos se dispersam por meio da neblina na Amazônia (Neil Aldridge/Getty Images/Veja Saúde)



Micro-organismos se dispersam por meio da neblina na Amazônia (Neil Aldridge/Getty Images/Veja Saúde)
Continua após publicidade

Ler Resumo

Quem já foi à Amazônia pode ter se deparado com um nevoeiro que cobre a floresta nas primeiras horas da manhã. Pois saiba que a névoa contém não apenas vapor d’água, mas trilhões de micro-organismos vivos, que podem inclusive influenciar o ciclo das chuvas da região.

A descoberta foi feita por um grupo de brasileiros e publicada recentemente no periódico Communications Earth & Environment, do grupo Nature. Para isso, eles instalaram “coletores de nuvens” em torres de observação a 43 metros de altura, no meio da copa das árvores. E se depararam com um universo invisível. “As concentrações chegaram a até 100 mil células microbianas por mililitro de água de nevoeiro”, aponta Bruna Sebben, doutoranda no Instituto Max Planck, que iniciou a pesquisa no mestrado.

Além da chuva, os micróbios atuam na dispersão de nutrientes e no funcionamento do ecossistema.

+Leia também: Tudo está conectado: saiba como a crise climática já afeta sua saúde

Dentro da névoa

O que o estudo revelou:

Achado inédito
É a primeira descrição de micro-organismos no nevoeiro amazônico, em quantidade similar a outras neblinas estudadas no mundo.

Continua após a publicidade

Como vão parar lá?
Pelo contato do ar com a superfície das plantas e do solo. Quando o ar esfria, o vapor d’água condensa e as gotículas carregam as espécies.

Quem são eles
Foram identificados oito tipos de bactérias e sete de fungos vivos, como Serratia marcescens e Aspergillus niger.

O que fazem
As propriedades químicas dos micro-organismos facilitam a condensação da água, influenciando o fenômeno atmosférico.

Continua após a publicidade

Ameaças no ar

O achado só reforça quão complexo e delicado é o funcionamento do ciclo das chuvas na Amazônia, de cuja saúde depende o clima do planeta. “A floresta recicla enormes quantidades de água e influencia os regimes de chuva na América do Sul. Mas mudanças climáticas e desmatamento podem alterar esse sistema”, aponta Sebben.

Ela alerta que aquecimento global, secas mais longas e aumento da poluição por queimadas levam à redução da frequência do nevoeiro.



Fonte: Saúde Abril

Leia mais

PUBLICIDADE