Ler Resumo
-
Introdução
Pesquisa recente revela que a busca por saúde mental e conexão social supera estética e performance como motivação para o exercício. 7 em cada 10 brasileiros utilizam o treino para escape emocional e 66% focam em bem-estar. A consistência nos hábitos depende mais do grupo do que da disciplina individual. Entenda como o pertencimento impulsiona a permanência.
-
- 7 em cada 10 brasileiros utilizam o exercício como válvula de escape emocional.
- 66% das metas de melhoria para os próximos 12 meses estão ligadas à saúde mental.
- A consistência nos treinos depende mais das relações sociais criadas do que da disciplina individual.
- Grupos e o senso de pertencimento aumentam a motivação e a permanência nas atividades físicas.
- A comunidade impulsiona a permanência nos locais de treino, transformando-os em espaços de apoio e conexão.
-
Este resumo foi útil?
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
As redes sociais fazem parecer que exercícios existem para duas coisas: estética e performance. Mas a verdade é que as pessoas querem mais saúde e menos solidão.
Uma grande pesquisa encomendada pela BEON Studios, dono de marcas como Velocity, AERA Pilates e Race Bootcamp, atestou justamente isso. Feita com 1.000 brasileiros entre abril e maio de 2026, ela revela que a atividade física tem assumido um papel mais amplo do que a simples busca por resultados no espelho ou por recordes pessoais.
Os espaços de treino cada vez mais vêm se transformando em locais de pertencimento, apoio emocional e construção de vínculos.
“Durante muito tempo, a continuidade em hábitos de bem-estar foi associada principalmente à disciplina individual. No entanto, os dados indicam que fatores relacionados ao contexto social têm influência relevante nesse processo“, afirma Carol Corona, CEO da BEON Studios.
+Leia Também: O mundo dos estúdios fitness
Saúde mental como objetivo máximo
Nesse contexto, não surpreende o bem-estar emocional ser o principal alvo de saúde das pessoas. De acordo com o relatório, 7 em cada 10 brasileiros já usaram o exercício como válvula de escape emocional.
E, entre todas as metas de melhoria para os próximos 12 meses, 66% estão relacionadas à saúde mental.
Saúde emocional (redução de ansiedade e estresse) divide a liderança com qualidade do sono entre as prioridades dos entrevistados, seguido por aumento da energia e disposição (20%).
Interessante destacar que emagrecimento (13%) está apenas em quarto nessa lista.
+Leia Também: Emagrecer não precisa ser um sacrifício
O desafio não é querer, é conseguir
Outra conclusão reveladora é que, apesar de uma maioria esmagadora dos participantes (94%) afirmarem que ser uma pessoa fitness é um objetivo de vida, seis em cada dez reconhecem que não conseguem cuidar mais de si mesmos.
Quase metade (48%) relata viver apagando incêndios na rotina que prejudicam a regularidade dos treinos, e 36% já interromperam a prática de exercícios em algum momento por questões pessoais.
É justamente aí que entra um dos principais achados do relatório: a consistência parece depender menos da disciplina individual e mais das relações criadas ao redor do treino.
“Ver que 57% das pessoas já foram treinar porque alguém do grupo esperava por elas mostra que a consistência não é construída apenas individualmente“, interpreta Corona.
+Leia Também: Tudo sobre alongamento: benefícios, cuidados e como fazer
O poder do pertencimento
O levantamento mostra que a influência do grupo vai muito além de convencer alguém a sair de casa para treinar em um dia de preguiça.
Segundo a pesquisa, 69% do impacto das outras pessoas está relacionado à motivação e à consistência. Além disso, 25,6% dos entrevistados relatam já ter comparecido a uma aula por sentirem que sua presença fazia diferença para os colegas.
Na prática, o grupo funciona como uma força de sustentação do hábito. Ele ajuda a não faltar aos treinos (36%), oferece ânimo extra nos dias difíceis (33%) e melhora até a execução dos exercícios (24%).
O reconhecimento também faz diferença. Quando o professor conhece o aluno pelo nome e acompanha sua trajetória, a chance de ele sentir pertencimento aumenta quase nove vezes. Além disso, 72,2% dos participantes relatam já terem sido notados quando faltaram a uma aula, enquanto 55,9% afirmam ter percebido a ausência de um colega.
+Leia Também: Existe receita para a felicidade? Veja reflexões de Monja Coen
A comunidade não é o motivo da matrícula, mas da permanência
Curiosamente, o relatório crava que apenas 1% das pessoas se matricula em um estúdio ou academia porque quer fazer parte de uma comunidade. Sim, a maioria chega motivada por objetivos físicos (como é de se esperar), conveniência ou saúde.
Mas o vínculo como consequência ajuda demais a constância. Mais da metade dos participantes treina sempre no mesmo horário e convive regularmente com as mesmas pessoas. Entre eles, a sensação de que aquele espaço é “o meu lugar” é mais de três vezes maior do que entre aqueles que variam constantemente os horários.
Assim, os locais de exercícios viram zonas de convivência, amizade e apoio emocional.
“Outro dado muito relevante foi que 82% dos entrevistados afirmam se sentir emocionalmente melhor quando treinam em grupo. Isso reforça que o wellness hoje também atende uma necessidade de conexão humana”, completa Carol Corona.
Em um momento em que a saúde mental se tornou prioridade e a solidão afeta uma parcela grande da população, os benefícios dos treinos vão muito além do que se imagina.
+Leia também: Só 4% das pessoas se mantêm na academia por um ano: saiba como entrar nesse grupo
Fonte: Saúde Abril