A Prefeitura de São Bernardo promoveu, na manhã deste sábado (28), ato público em frente ao Ginásio Poliesportivo Adib Moysés Dib, quando reuniu centenas de pessoas em defesa das mulheres e pelo fim da violência de gênero.

Comparecimento
A manifestação contou com a presença do prefeito Marcelo Lima – Podemos, da primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade, Zana Lima, da vice-prefeita, Jessica Cromick, da secretária da Mulher, Sandra do Leite, entre outros secretários e vereadores, além da presença da representante da DDM – Delegacia da Mulher de São Caetano, Amanda Gamarano Veiga.


Nesse sentido, a mobilização ocorreu em razão do crime brutal ocorrido no Golden Square Shopping, na noite de quarta-feira (25), quando Cassio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos, adentrou à loja em que sua ex-namorada, Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, trabalhava, e a feriu com golpes de faca no pescoço, que foi socorrida, mas não resistiu e veio a óbito no local.
Além das autoridades e da grande presença de público, participou também Iohana Mello, vítima sobrevivente da barbárie da Paraíba que, lamentavelmente, ficou conhecido como o estupro coletivo de Queimadas, ocorrido em 12 de fevereiro de 2012, e que fez cinco vítimas, sendo duas mortas por terem reconhecido os criminosos.
Assim sendo, o prefeito Marcelo Lima abriu sua fala lamentando ter que realizar um ato e mobilizar tantas pessoas com o objetivo de falar sobre um crime hediondo.


“Esse é o tipo de ato que ninguém gostaria de fazer, ninguém gostaria de sair de casa pra estar num ato desse. Porque nós gostaríamos que não tivesse acontecido o que deu origem a nós estarmos aqui hoje”, disse ele.
Deptos em defesa da mulher
A secretaria da Mulher da cidade, Sandra do Leite elencou os órgãos estabelecidos no município que atuam em defesa da mulher, porém, ressaltou que, contra a perversidade de um homem disposto a matar uma mulher, todas as ferramentas são obsoletas.


“Quando o Marcelo criou a Secretaria da Mulher, nos deu uma missão: proteger e cuidar das mulheres em São Bernardo. E, portanto, temos feito isso com maestria. A Guardiã Maria da Penha faz um trabalho incrível, a Secretaria de Segurança também, o CRAM – Centro de Referência e Atendimento à Mulher, a Secretaria da Mulher, a Saúde, todas as demais secretarias da cidade”, enumerou ela, que seguiu:
“O prefeito Marcelo Lima tem trabalhado incessantemente, no entanto, quando uma pessoa quer matar uma mulher, a gente não consegue evitar. Como ele chegou no shopping? Ele avisou? Não. Ele entrou igual a um rato, igual um lixo, que é um agressor de mulher e matou aquela menina de 22 anos sem ela ter condição nenhuma de defesa. Ninguém conseguiria evitar aquela morte”, lamentou a secretaria com a voz embargada e emocionada.
Política pública
Em outro momento, o prefeito bradou ao avisar que não se trata de política eleitoreira, mas sim de medidas concretas para evitar mais casos como o ocorrido com Cibelle.


“Não viemos discutir e muito menos fazer política eleitoral, vamos discutir política pública de verdade, com união e com um só propósito: defender as mulheres do Brasil inteiro”, disse Marcelo.
Além do prefeito, a vice-prefeita, Jessica Cormick também fez uso da palavra, ao lastimar ter que exigir respeito à vida de uma mulher.


“Eu, de fato, não queria estar aqui tendo que fazer um ato para exigir o mínimo, que é o direito de viver. O direito de poder estar viva, de contar a minha história. É um absurdo hoje, em pleno 2026, a gente tem que fazer um ato para falar parem de nos matar. O mundo progrediu tanto, e parece que agora a gente está voltando para trás”, criticou ela.
Jessica afirmou que: “o ato não é apenas por Cibeli, mas por Mariane e Cristiane, todas do ABC, que foram vítimas desses covardes. Como mulher, tenho medo, como policial militar, não estou imune. Quando a gente comentou o que aconteceu aqui no Golden, muitas pessoas se sensibilizaram, mas muitas pessoas também criticaram”, lamentou ela.
Primeira-dama
Zana Lima aconselhou àqueles que souberem de casos de agressões que denunciem, não se calem, além de pedir que as mulheres se unam e não entrem em embates.


“Pedimos por várias coisas, para que a mulher seja respeitada, e que tenha no direito de dizer não e não quer dizer não, a violência psicológica também é crime, e onde tiver uma mulher passando por um infortúnio, seja de qual forma for, se você sabe, denuncie, meta sua colher sim, para que ela não acabe sendo vítima de feminicídio. A gente não está aqui para guerrear uma com a outra, estamos aqui para fazer com nossas vozes sejam ouvidas e respeitadas em todos os âmbitos”
DDM/SCS
Amanda Gamarano Veiga, representante da DDM de São Caetano, e da delegada titular, Dra. Luciara da Conceição Campos, fez uma analogia na qual a mulher tem que lutar desde cedo contra os preconceitos que a sociedade impõe.


“A mulher já nasce com a medalha de prata na vida, porque a de ouro é do homem. Então, a gente sempre está correndo atrás de alguma coisa para ser reconhecida, para ser aceita, para ter igualdade. Entretanto, ninguém quer aqui ser mais do que eles, a gente só quer ter igualdade. Porém, às vezes, a gente acha que nunca vai acontecer, porque a violência contra a mulher é muito velada, está escondidinha nos detalhes e, às vezes, a gente acha que é amor, mas é controle travestido de amor”, percebe Amanda.
Caso estarrecedor
Iohana Melo, a vítima sobrevivente do caso na Paraíba, também, falou sobre as atrocidades contra as mulheres e de sua repercussão mundial.


“Esse crime chegou até a passar na China, portanto, esse caso trágico envolveu um estupro coletivo planejado contra cinco mulheres durante uma festa de aniversário, resultando na morte das duas delas”, iniciou ela, que continuou:
“O mentor do crime, Eduardo Santos Pereira, e que foi descrito como um presente de aniversário para o seu irmão, Luciano. Assim, foram dez homens envolvidos, meus primos, infelizmente. Entretanto, das cinco mulheres, no caso, a sexta teria sido eu. Mas um amigo meu me ligou para assistir a uma banda no bar em Campina Grande. E eu falei, não, Ele falou, estou sentindo que você precisa ir comigo, conhecer o seu ídolo, aí eu falei, ah, então vamos. E Deus usou o Rogério para me levar até essa festa e fui poupada. Depois de 14 anos, feito agora dia 12 de fevereiro, eu digo que eu não tenho 35 anos, eu tenho 14 anos”, emociona-se Iohana.
Pacote de leis
Dessa forma, no ato, Marcelo Lima garantiu que, esta semana, enviará à Câmara um pacote de leis municipais que impedirão que homens com histórico de agressões contra mulheres ou feminicídio possam assumir cargos públicos, disputar vagas em concursos públicos, além de serviços prestados pela Municipalidade, como bolsas de estudo, curso superior gratuito e outros benefícios.
Além disso, o prefeito também anunciou a implantação da DDM 24 horas na cidade e que já está em andamento e ocupará um terreno cedido pela Prefeitura à Polícia Civil, além de ter confeccionado um abaixo-assinado que será encaminhado ao MP – Ministério Público do Estado de São Paulo pedindo apoio para trabalho em conjunto.
Trabalho em conjunto
“A gente criou um grande movimento agora, vamos falar de uma abaixo-assinado, mas é uma carta direcionada pedindo apoio ao Ministério Público do Estado, ao procurador-geral do Estado de São Paulo, Paulo Sérgio, para que a gente possa em conjunto trabalhar e ao mesmo tempo a gente colocar acessórios nesse documento para discutir e dialogar com os presidentes de todos os partidos que possam nos escutar, lideranças partidárias da Câmara Federal, do Senado, isso eu vou fazer pessoalmente junto com a equipe de governo, junto com as mulheres”, garantiu o prefeito.
Eleições
Já ao ser perguntado sobre o que o Município pode fazer e qual seu papel nas eleições, Marcelo foi direto.
“A gente espera que os candidatos que passarem pedindo o seu voto de confiança para a população de São Bernardo tenham compromisso com a causa, não que usem da causa para fazer politicagem, contudo, que usem da causa para ter realmente um programa, um projeto, uma proposta que vem ao encontro à proteção das mulheres. Portanto, nossos candidatos, que serão apoiados abertamente por mim, terão uma carta compromisso com leis mais duras, que possam ser mais rígidas para aqueles que cometeram esse tipo de crime”, avisou o prefeito.
Histórico
No início de fevereiro, a moradora da Vila Sacadura Cabral, em Santo André, Cristiane Morais da Silva, de 43 anos, foi assassinada pelo ex-marido, Diego Silva de Oliveira, de 36 anos, que está preso.
Contudo, no dia 18 de fevereiro, outra ocorrência e, desta vez, a técnica de enfermagem Mariane Lima Alves, de 27 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro, Bruno Oliveira Zeni, de 30 anos, no Núcleo Habitacional Nova Conquista em Diadema.
E por fim, o caso de Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, que foi assassinada pelo ex-namorado, enquanto trabalhava, na noite de quarta-feira (25).
CELSO M. RODRIGUES
Fonte: ABC Repórter